Lluvia
Garuando en mi ventana murmura la noche.
Las luces de la calle titilan más bellas
en tanto que tu ausencia parece una estrella
mojada en la lluvia de mi corazón.
Cargados de ilusiones, cruzando la sombra,
vivimos este ensueño de tiempo lejano,
temblando de ternura tu mano en mi mano,
mi vida en tu vida, tu amor en mi amor.
Volverás, volverás con el agua
que al golpear mi cristal da su canto.
Volverás, volverás con el llanto
que llueve en la noche de mi callejón.
Volverás otra vez del recuerdo
al nidal de mi fe desolada,
y estará tu canción amarrada
con hilos de lluvia que llora mi amor.
Las nubes del fracaso recorren mi cielo.
El trueno de la pena retumba reproches.
El rayo del olvido alumbra mi noche
y el viento del alma te canta un perdón.
Repica sobre el claro cristal la llovizna.
Un lampo del pasado sus focos asoma,
y vuelve tu recuerdo como una paloma
mojada en la lluvia de mi corazón.
Chuva
Garuando na minha janela murmura a noite.
As luzes da rua piscam mais lindas
enquanto a sua ausência parece uma estrela
molhada na chuva do meu coração.
Carregados de ilusões, cruzando a sombra,
vivemos esse sonho de um tempo distante,
tremendo de ternura sua mão na minha mão,
minha vida na sua, seu amor no meu amor.
Você vai voltar, vai voltar com a água
que ao bater no meu vidro faz seu canto.
Você vai voltar, vai voltar com o choro
que chove na noite do meu beco.
Você vai voltar outra vez da lembrança
para o ninho da minha fé desolada,
e sua canção estará amarrada
com fios de chuva que choram meu amor.
As nuvens do fracasso percorrem meu céu.
O trovão da dor retumba cobranças.
O raio do esquecimento ilumina minha noite
e o vento da alma te canta um perdão.
Cai a garoa sobre o claro vidro.
Um relâmpago do passado aparece,
e volta sua lembrança como uma pomba
molhada na chuva do meu coração.