Milonga de Puente Alsina
Puente Alsina, puente viejo,
viendo que estás liquidado
quiero atar a mi encordado
tu pasao y mi cantar,
recordando tus hazañas
cuando golpeaba en tu trocha
el tacón de la morocha
al volver de trabajar.
Ya no serás
el que guapeó en el "ochenta",
ni jamás como en las mentas
la pedana de la cuenta
que la ocasión canceló.
Ya no serás
el que en las brumas del río
vio chispear el brillo frío
de las dagas que en el río
concitaba la traición.
Se va el barrio que ha crecido
junto a tus viejos horcones,
con la fe de los varones
que labró tu tradición.
Se va el soplo del misterio
que en tus tablones se acuna
bajo la luz de la luna
farolito de cartón.
Ya no serás
aquel rincón perdulario
que amarrao a los prontuarios
del Riachuelo legendario
su tradición consagró.
Sólo serás
así pintao y luciente
más bacán y resistente,
pero serás cualquier puente
sin pasao, ni emoción.
Milonga da Ponte Alsina
Ponte Alsina, ponte antiga,
vendo que você tá acabado
quero amarrar no meu violão
o seu passado e meu cantar,
lembrando suas façanhas
quando batia na sua trilha
o salto da morena
ao voltar do trabalho.
Você não será mais
quem se achava no "oitenta",
nem jamais como nas mentiras
a conta que a ocasião
cancelou.
Você não será mais
quem nas brumas do rio
viu brilhar o frio brilho
das facas que no rio
provocava a traição.
O bairro que cresceu
ao lado dos seus velhos postes,
com a fé dos homens
que moldaram sua tradição.
Se vai o sopro do mistério
que nos seus tábuas se embala
sob a luz da lua
lanterna de papelão.
Você não será mais
aquele canto perdido
que amarrado aos prontuários
do Riachuelo lendário
sua tradição consagrou.
Só será
assim pintado e brilhante
mais descolado e resistente,
mas será qualquer ponte
sem passado, nem emoção.