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Parece mentira

Homero Manzi

Parece mentira

Yo soy como siempre, yo nunca cambié,
mi ropa es la de antes, mi vida también.
Por eso, de pronto, me cuesta creer
que seas la misma, la misma de ayer.

Parece mentira que todo de un golpe se pueda romper,
Parece mentira que el sueño más puro nos quiebre la fe,
Te miro y no sé, me cuesta creer,
que seas la misma que quise una vez.

Son tus ojos, dos luceros,
dos abrojos hechiceros,
dos abrojos de luz que se queman
en la noche de mi corazón.
Son mis penas cien tormentas.
Son mis penas cien condenas,
cien condenas de horror que encadenan
mi vida perdida detrás de tu amor.

Tu calle es la misma, tu esquina también,
las noches del barrio, las mismas de ayer.
La luna es la misma que vimos los dos,
colgada en la punta de aquel callejón.

Si todo es como antes, si nada ha cambiado, si todo es igual,
parece mentira que sólo tu vida pudiera cambiar.
Te miro y no sé, me cuesta creer,
que seas la misma que quise una vez.

Parece mentira

Eu sou como sempre, nunca mudei,
minha roupa é a mesma, minha vida também.
Por isso, de repente, me custa acreditar
que você seja a mesma, a mesma de ontem.

Parece mentira que tudo de uma vez possa se quebrar,
Parece mentira que o sonho mais puro nos faça perder a fé,
Te olho e não sei, me custa acreditar,
que você seja a mesma que eu amei uma vez.

São seus olhos, duas estrelas,
duas armadilhas encantadas,
duas armadilhas de luz que se queimam
na noite do meu coração.
São minhas dores cem tempestades.
São minhas dores cem condenações,
cem condenações de horror que prendem
minha vida perdida atrás do seu amor.

Sua rua é a mesma, sua esquina também,
as noites do bairro, as mesmas de ontem.
A lua é a mesma que nós dois vimos,
pendurada na ponta daquela viela.

Se tudo é como antes, se nada mudou, se tudo é igual,
parece mentira que só a sua vida pudesse mudar.
Te olho e não sei, me custa acreditar,
que você seja a mesma que eu amei uma vez.

Composição: Homero Manzi, Francisco Canaro