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Triste Porteña

Horacio Ferrer

Porteñesa Triste

¿ves?, mi nena ya se va
Y no se sabe ir, se hiere en vez de andar.
Y sólo el sol, que parte a diario sabe
Cuánto mata irse.

¿ves?, de triste que se va
Se me desorientó, confunde ser con sur.
Yo le pedí al río de la plata
Que le dé su oculto caballito azul,
Va tan sola, ayúdenla, por dios, que ya
Se va mi pobre amor.

Bailen, cuando ella cruce.
Recuerdos, no la martiricen.
Luego recojan su pelo con cintas de luces
De buenos aires.

Ay, relojes dénle paz,
Zapatos llévenla, olvido ¡no empujés!
Que reencarnado en pez o en lámpara diré:
¡buen viaje, pobre amor!
Te ayudaremos todos, tanto.

No, no me la apurés, horizonte,
Que del apuro sólo le quedará el cansancio,
Mi nena es débil.
Y vos, último abrazo que le di,
Que no eras imposible,
Pero que tampoco fuiste posible,
Apretate a su cuerpo, apretate,
Mi amor va grave.

¿ves?, mi nena ya se va
Y no se sabe ir, se muere en vez de andar.
Yo le pedí al río de la plata
Que le dé su oculto caballito azul,
Va tan sola, ayúdenla, por dios, que ya
Se va mi pobre amor.

(a hernán salinas)

Triste Porteña

¿Viu?, minha menina já tá indo
E não sabe ir, se fere em vez de andar.
E só o sol, que parte todo dia sabe
Quanto dói ir embora.

¿Viu?, de tão triste que se vai
Se desorientou, confunde ser com sul.
Eu pedi pro rio da prata
Que dê a ela seu oculto cavalinho azul,
Vai tão sozinha, ajudem ela, pelo amor de deus, que já
Se vai meu pobre amor.

Dancem, quando ela passar.
Lembranças, não a torturem.
Depois peguem seu cabelo com fitas de luz
De Buenos Aires.

Ai, relógios, deem paz,
Sapatos, levem-na, esquecimento, não empurre!
Que reencarnado em peixe ou em lâmpada eu direi:
Boa viagem, pobre amor!
Vamos ajudar todos, tanto.

Não, não a apresse, horizonte,
Que da pressa só vai sobrar o cansaço,
Minha menina é fraca.
E você, último abraço que eu dei,
Que não era impossível,
Mas que também não foi possível,
Aperte seu corpo, aperte,
Meu amor tá grave.

¿Viu?, minha menina já tá indo
E não sabe ir, se morre em vez de andar.
Eu pedi pro rio da prata
Que dê a ela seu oculto cavalinho azul,
Vai tão sozinha, ajudem ela, pelo amor de deus, que já
Se vai meu pobre amor.

(a Hernán Salinas)

Composição: