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Milonga Para Borges

Horacio Ferrer

Milonga Para Borges

La luna pampa le entrega
su bastón definitivo,
Jorge Luis Borges, señores,
nos lleva a sus santos sitios.

Van varios Borges en uno:
es el Dios de lo que ha escrito,
es otro el Borges mortal
y es otro que aún no ha nacido.

La historia y la fantasía
sus dones que son lo mismo
toreándose tras su frente
con atareados cuchillos.

Por calles de Buenos Aires
provocará el laberinto
del amor y los cabales
mitos di sueño argentino.

Una voz cantó en Islandia
y otra allá en Palermo antiguo
para que Borges fabule
la angustia de un tigre liso.

¿Qué venturoso arrabal
del mundo lo ha recibido
que las deidades tanguean
en el solar de sus libros?

La rosa va en su solapa
y recordó cien suspiros,
él sólo recuerda un beso
que no fue correspondido.

Las mil y una noches criollas
lo nombran con su cariño,
-Se nos ha muerto el poeta.
Y él dice: -No. No he podido.

Tenga Borges su milonga, sí,
con el respeto debido.

Milonga Para Borges

A lua pampa lhe entrega
seu bastão definitivo,
Jorge Luis Borges, senhores,
nos leva a seus santos lugares.

Vão vários Borges em um:
é o Deus do que escreveu,
é outro o Borges mortal
e é outro que ainda não nasceu.

A história e a fantasia
seus dons que são a mesma coisa
se enfrentando atrás de sua testa
com facas apressadas.

Por ruas de Buenos Aires
provocará o labirinto
do amor e os cabais
mitos de sonho argentino.

Uma voz cantou na Islândia
e outra lá em Palermo antigo
para que Borges fabule
a angústia de um tigre liso.

Que venturoso arrabal
do mundo o recebeu
que as divindades tangueiam
no quintal de seus livros?

A rosa vai em sua lapela
e lembrou cem suspiros,
ele só lembra um beijo
que não foi correspondido.

As mil e uma noites crioulas
o nomeiam com seu carinho,
- Nos deixou o poeta.
E ele diz: - Não. Não consegui.

Que Borges tenha sua milonga, sim,
com o respeito devido.

Composição: