Tu penúltimo tango
Mi amor, tu tango es este beso
que aún flota y sueña por tus labios,
y también es mi voz, alguna vez
que eché a llorar a solas.
Voy de tu mano hasta mi barrio,
Soler y Gallo, en el zaguán
veo a mis viejos como ayer,
mateando están, callando están
lo que hoy ya sé.
Este es tu tango,
poquita cosa y tanta vida
con vos vivida
de gordo cuore y flaco pan.
Tu tango está siempre en la sed
del bandoneón
que como un pájaro quedó bebiéndote
y es el dolor de último lazo
que ya desnudo,
robado y triste te dejé.
Mi amor, tu tango es tu ternura
que, aún muerto, a mi alma le hace yunta
y es tu perdón de compañera fiel
que me inundó de cunas.
Tu tango irá de nochecita
y por la piel te contará
cómo guapeó mi corazón
con la ñatita en la cancel
del más allá.
(Para Zita de Troilo)
Seu penúltimo tango
Meu amor, seu tango é este beijo
que ainda flutua e sonha nos seus lábios,
e também é minha voz, alguma vez
que eu deixei a chorar sozinho.
Vou de sua mão até meu bairro,
Soler e Gallo, no corredor
vejo meus velhos como ontem,
matando o tempo, em silêncio estão
o que hoje já sei.
Este é seu tango,
pouca coisa e tanta vida
vivida com você
de coração gordo e pão magro.
Seu tango está sempre na sede
do bandoneón
que como um pássaro ficou te bebendo
e é a dor do último laço
que já nu,
roubado e triste te deixei.
Meu amor, seu tango é sua ternura
que, mesmo morto, à minha alma faz par
e é seu perdão de companheira fiel
que me inundou de berços.
Seu tango vai de noite
e pela pele te contará
como meu coração se fez valente
com a neném na porta
do além.
(Para Zita de Troilo)