Ser feliz
Me aparecí trajeado de zanahorias,
puse en tu puerta un trueno de mil zorzales,
te di el clavel más lindo de mi memoria,
te hago este canto lleno de carnavales.
Todos los saltimbanquis de mi alegría,
con su chimpún de sueños van a tus ganas:
que sepa el ogro de tu melancolía
que ser feliz es cosa del alma humana.
Ser feliz, ser feliz,
pobre amor no sabés ser feliz,
te inundaste la vida de quejas
y se puso vieja tu soledad.
Ser feliz, ser feliz,
no hay edad para ser muy feliz,
te enredaste la angustia en las cejas
y se puso vieja tu soledad.
Me tiraré en la cara un pastel de esperas
y unas pruebas haré de paciencia china,
yo no sé lo que haré, pero haré de veras
que sonrían tus ojos de gelatina.
Me tiraré desnudo desde tus lentes,
te mostraré el origen de las mañanas,
y te dirán mis penas, humildemente,
que ser feliz es cosa del alma humana.
Ser feliz
Me apareci todo vestido de cenouras,
pus um trovão na sua porta de mil tordos,
te dei o cravo mais lindo da minha memória,
te faço essa canção cheia de carnavais.
Todos os palhaços da minha alegria,
com seu chim-pum de sonhos vão aos seus desejos:
que saiba o ogro da sua melancolia
que ser feliz é coisa da alma humana.
Ser feliz, ser feliz,
coitado do amor, não sabe ser feliz,
se afogou na vida de reclamações
e sua solidão ficou velha.
Ser feliz, ser feliz,
não há idade para ser muito feliz,
se enredou na angústia das sobrancelhas
e sua solidão ficou velha.
Vou jogar um bolo de esperas na cara
e farei algumas provas de paciência chinesa,
eu não sei o que farei, mas farei de verdade
que seus olhos de gelatina sorriam.
Vou me jogar nu dos seus óculos,
te mostrarei a origem das manhãs,
e minhas penas, humildemente,
dirão que ser feliz é coisa da alma humana.