Moneda de Cobre
Tu padre era rubio, borracho y malevo,
tu madre era negra con labios malvón.
Mulata naciste con ojos de cielo
y mota en el pelo de negro carbón.
Creciste entre el lodo de un barrio muy pobre,
cumpliste veinte años en un cabaret.
Y ahora te llaman moneda de cobre
porque vieja y triste muy poco valés.
Moneda de cobre,
yo sé que ayer fuiste hermosa;
yo con tus alas de rosa
te vi volar mariposa
y después te vi caer...
Moneda de fango,
¡Qué bien bailabas el tango!...
Qué linda estabas entonces,
como una reina de bronce,
allá en el "Folies Berger".
Aquel barrio triste de barro y de latas
igual que tu vida desapareció...
Pasaron veinte años, querida mulata,
no existen tus padres, no existe el farol.
Quizás en la esquina te quedes perdida
buscando la casa que te vio nacer;
seguí, no te pares, no muestres la herida...
No llores mulata, total, ¡para qué!
Moeda de Cobre
Teu pai era loiro, bêbado e malandro,
teu mãe era negra com lábios de malvão.
Mulata, você nasceu com olhos de céu
e cabelo de carvão, cheio de grão.
Cresceu no barro de um bairro bem pobre,
completou vinte anos num cabaré.
E agora te chamam de moeda de cobre
porque velha e triste, pouco vale, né?
Moeda de cobre,
eu sei que ontem você era linda;
eu com suas asas de rosa
te vi voar como uma borboleta
e depois te vi cair...
Moeda de lama,
como você dançava o tango!...
Que linda você estava então,
como uma rainha de bronze,
alí no "Folies Berger".
Aquele bairro triste de barro e de lata
igual à tua vida, desapareceu...
Passaram vinte anos, querida mulata,
seus pais não existem, não existe o farol.
Talvez na esquina você fique perdida
procurando a casa que te viu nascer;
segue em frente, não para, não mostre a ferida...
Não chora, mulata, no fim, pra quê!