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Velho cocheiro

Horacio Sanguinetti

Viejo cochero

Unidos por las riendas del destino
como una sombra lentamente pasa,
va trotando por la senda del olvido
como atado a tu viejo coche de plaza.
Cochero que te alejas de este mundo
envuelto en sombras y enlutado de dolor,
ya no se oye tu trote vagabundo
por las calles de la vida sin amor.

Mateo, apartáte de la vía
y dejá paso al progreso,
hoy te grita la ciudad.
Mateo, casi histórico cochero
yo recuerdo tus paseos
al hermoso Rosedal.
Mateo, encorvado por los años
yo te vi monologando
a solas con tu pesar.
Por eso cuando así, triste, te veo
yo también quiero, Mateo, llorar.

Anoche le llovía tu capota
lo mismo que a tu alma tan cansada,
por su tela negra de hule, vieja y rota,
le goteaban las mil noches mal pasadas.
Sentado en el pescante de tu coche,
tenías frío y muchas ganas de dormir,
esperando levantar un triste viaje
no soñabas que te ibas a morir.

Velho cocheiro

Unidos pelas rédeas do destino
como uma sombra lentamente passa,
vai trotando pelo caminho do esquecimento
como preso ao seu velho carro de praça.
Cocheiro que se afasta deste mundo
envolto em sombras e coberto de dor,
já não se ouve seu trote vagabundo
pelas ruas da vida sem amor.

Mateo, afaste-se da pista
e dê passagem ao progresso,
hoje a cidade te grita.
Mateo, quase um cocheiro histórico
me lembro dos seus passeios
pelo lindo Rosedal.
Mateo, curvado pelos anos
te vi monologando
sozinho com sua tristeza.
Por isso, quando te vejo assim, triste,
eu também quero, Mateo, chorar.

Ontem à noite chovia sobre sua capota
assim como sobre sua alma tão cansada,
pela sua velha e rasgada lona preta,
pingavam as mil noites mal passadas.
Sentado na caixa do seu carro,
você tinha frio e muita vontade de dormir,
esperando fazer uma viagem triste
não sonhava que ia morrer.

Composição: