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Eu sou homem e paisagem

Humberto Falcón

Soy Hombre y Paisaje

Cayeron las sombras del atardecer
Y el verde paisaje oscuro quedó
Los trinos se duermen en las quietas ramas
Ya todo enmudece la noche llegó
Allá en el obraje callaron las hachas
Los troncos heridos habrán de llorar
Sus lágrimas rojas, mojarán las raíces
De otros gigantes que hay que derrumbar

La espalda vencida brillosa en el Sol
Mis manos curtidas el hacha dejó
Soy hombre y paisaje todo corazón
Silbando en la noche me vuelvo canción
Yo se que mañana tendré que volver
Los ojos del monte me verán pasar
Pero en la alborada ya no habrá silencio
Sus trinos al viento las aves darán

Yo voy como un duende con el hacha en mano
Y el vino cansado de mi soledad
La cabeza gacha mirando el camino
Que solo la Luna lo habrá de alumbrar

Eu sou homem e paisagem

As sombras do pôr do sol caíram
E a paisagem verde escura permaneceu
Os trinados adormecem nos galhos imóveis
Tudo está em silêncio a noite chegou
Lá, os machados silenciaram
Os troncos feridos vão chorar
Suas lágrimas vermelhas vão molhar as raízes
De outros gigantes que precisam entrar em colapso

As costas batidas brilhando ao sol
Minhas mãos bronzeadas o machado saiu
Eu sou homem e paisagem de todo o coração
Assobiando no meio da noite eu me torno uma canção
Eu sei que amanhã terei que voltar
Os olhos da montanha me verão passar
Mas no amanhecer não haverá silêncio
Seus trilos ao vento os pássaros darão

Eu vou como um elfo com o machado na mão
E ele veio cansado da minha solidão
A cabeça para baixo olhando para a estrada
Que só a lua vai acendê-lo

Composição: Alcibiade Ayala