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Terra In Bocca, pt.1

I Giganti

Letra

Terra na Boca, pt.1

Terra In Bocca, pt.1

Largo inicial - muito largo - avanteLargo iniziale - molto largo - avanti

Longo e estirado te encontraramLungo e disteso t'hanno trovato
Com quatro tiros cravados no peitoCon quattro colpi piantati nel petto
Te pegaram de surpresaA tradimento t'hanno sparato
Sem nem te dar um pingo de suspeitaSenza neanche darti il sospetto

Agora você jaz sem os sapatosOra tu giaci senza le scarpe
Dentro de um arbusto de espinheiroDentro a un cespuglio di biancospino
Enquanto no mar vão os barcosMentre sul mare vanno le barche
Que te lembram desde criançaChe ti ricordano fin da bambino

Alguém já corre na ruaQualcuno corre già nella via
Enquanto a polícia passaMentre passando la polizia
Leva seu corpo já sem vidaPorta il tuo corpo ormai senza vita
Para sua casa ainda adormecidaAlla tua casa ancora assopita

"Aquele dia a cidade acordava como sempre, como todos os dias, ao toque do sino da manhã, com as primeiras"Quel giorno il paese si svegliava come sempre, come tutti i giorni, al rintocco del mattutino, con le prime
mulheres sentadas nos degraus de suas casas, com as redes estendidas para secar, com o primeiro cheiro de pão, com as vozesdonne sedute sui gradini delle loro case, con le reti stese ad asciugare, con il primo odore di pane, con le voci
dos camponeses nos campos, e o mar ao longe, que escuta, e conta"dei contadini nei campi, e il mare in lontananza, che ascolta, e racconta"

São só cem casas, toda a cidade,Son solo cento case, tutto il paese,
uma grande igreja com o campanário,una gran chiesa con il campanile,
um bar-tabacaria sem pretensões,un bar-tabacchi senza pretese,
tudo parece um pátiotutto raccolto sembra un cortile

Quatro ruas bem estreitasQuattro strade strette strette
Que levam à praçaChe portano in piazza
Uma mulher, duas mulheres,Una donna, due donne,
um velho, uma criançaUn vecchio, un bambino
Com as jarras na cabeçaCon le brocche sulla testa
Uma longa procissãoUna lunga processione
Desce ao centro da cidadeScende al centro del paese
Para comprar só águaPer comprare solo acqua

Neste maldito lugarIn questo maledetto paese
Faz vinte anos que a PrefeituraSon vent'anni che il Comune
Prometeu um abastecimento de águaHa promesso un acquedotto
Mas só prometeuMa promesso solamente
A colheita está morrendoIl raccolto sta morendo
Aqui nunca choveQui da noi non piove mai
Estamos cansados de esperarSiamo stanchi di aspettare
A água nunca chega...L'acqua non arriva mai...
A água nunca chega...L'acqua non arriva mai...
A água nunca chega...L'acqua non arriva mai...

Só tem um carroceiroC'è solo un carrettiere
Que a toda hora passa com água, a que se bebeChe ad ogni ora passa con l'acqua, quella da bere
Ele vende a 10 liras por copoLa vende a 10 lire al bicchiere
Quem não tem grana não pode beberChi non ha soldi non la può bere

Os patriarcas de duas famíliasI patriarchi di due famiglie
Como se fossem duas naçõesCome se fossero due nazioni
Entram em mil batalhasScendono in campo in mille battaglie
São inimigos há geraçõesSono nemici da generazioni

Segunda-feira... Tiroteio no mercado de peixeLunedì....Sparatoria nel mercato del pesce
Terça-feira... Com explosivos fazem uma casa voarMartedì...Col tritolo fan saltare una casa
Quarta-feira... No campo mataram um pastorMercoledì...In campagna hanno ucciso un pastore
Quinta-feira... Jogaram o caminhão-pipa do caisGiovedì...Han gettato l'autobotte dal molo
Sexta-feira... Encontraram um reservatório poluídoVenerdì...Han trovato una cisterna inquinata
Depois no sábado... Toda a cidade ficou sem águaPoi di sabato...Tutto il paese è rimasto senz'acqua
Mas no domingo, mas no domingoMa di domenica, ma di domenica
Todos na praça, a festejar o santo do diaTutti alla piazza, a festeggiare il santo del giorno
Todos se cumprimentam, tudo é normalTutti salutano, tutto è normale

"Don Vincenzo, querido, saudamos a vossa senhoria"Don Vincenzo carissimo, salutammo a vossia
Beijamos as mãos, don Gaetano, respeitos à senhora"Baciamo le mani don Gaetano, ossequi alla signora"

Na cidade uma explosão violenta... Faz desabar como em guerra uma casaNel paese un'esplosione violenta......Fa crollare come in guerra una casa
Terça-feira... chegam os carabineiros... Para fazer um boletimMartedì ......arrivano i carabinieri......Per fare un verbale

Mas no domingo, mas no domingoMa di domenica, ma di domenica
Todos na praça, a festejar o santo do diaTutti alla piazza, a festeggiare il santo del giorno
Todos se cumprimentam, tudo é normalTutti salutano, tutto è normale

Não aconteceu nada de normalNon è successo niente di normale

Avante tudo - momento feio - plim plimAvanti tutto - brutto momento - plim plim

"Eu estava na Sicília em 1936"I was in Sicily in 1936
Sol e mar como na Califórnia, maravilhoso!Sun and sea like in California, wonderful!
Ninguém escova os dentes,No one washes teeth,
Só alguém bebe leite: terrível!"Just someone drink milk: terrible!"

Então na cidade branca de solPoi nel paese bianco di sole
Desliza em silêncio seu funeralScorre in silenzio il tuo funerale
Chora o povo, brotam as violetasPiange la gente, sboccian le viole
E uma garota desmaiaE una ragazza si sente male

Você, cheio de solTu, pieno di sole
Ela, branca de salLei, bianca di sale
Um pôr do sol que morria no marUn tramonto che moriva in mare
Assim nasceu o seu amorCosì è nato il vostro amore
Você que no domingo procurava seu olharTu che di domenica cercavi il suo sguardo
Entre a gente na igrejaTra la gente nella chiesa
Ela que sorria escondidoLei che sorrideva di nascosto
Temerosa da reprimenda de DeusTimorosa del rimprovero di Dio

Vocês já se falam há um anoVi parlate già da un anno
Os pais estão felizesSon contenti i genitori
Então o casamento vai acontecerPoi le nozze si faranno
Eu, eu fui escolhidoIo, io ero stato scelto
Para ser padrinhoPer essere compare

Você, cheio de solTu, pieno di sole
Ela, branca de salLei, bianca di sale
Um pôr do sol que morria no marUn tramonto che moriva in mare
Assim nasceu o seu amorCosì è nato il vostro amore
Você que no domingo procurava seu olharTu che di domenica cercavi il suo sguardo
Entre a gente na igrejaTra la gente nella chiesa
Ela que sorria escondidoLei che sorrideva di nascosto
Temerosa da reprimenda de DeusTimorosa del rimprovero di Dio

Vocês já se falam há um anoVi parlate già da un anno
Os pais estão felizesSon contenti i genitori
Então o casamento vai acontecerPoi le nozze si faranno
Eu, eu fui escolhidoIo, io ero stato scelto
Para ser padrinhoPer essere compare

Você, cheio de solTu, pieno di sole
Ela, branca de salLei, bianca di sale

"Eu, tenho o sol no coração e você me ilumina""Io, ho il sole nel cuore e tu mi illumini"

Plim plim ao paroxismo - delicado andantePlim plim al parossismo - delicato andante

Se descompõe em mil sonsSi scompone in mille suoni
Um lamento de sinosUn lamento di campane
Lenta e fúnebre magiaLenta e funebre magia
Que na cidade mais ninguém faz dormirChe in paese più nessuno fa dormire
Se eu falava de seu paiSe parlavo di tuo padre
E do drama de um lugarE del dramma di un paese
Onde reina a omertàDove regna l'omertà
Você se calava e quase nunca falavaTi chiudevi nel silenzio e non parlavi quasi mai

Sim, no olhar inocente, havia só ingenuidadeSì, nello sguardo innocente, c'era solo ingenuità
Você cheio de sol, ela branca de salTu pieno di sole, lei bianca di sale
Essas imagens são para mim lembrançasQueste immagini sono per me ricordi
De um amor simples, de um amor fácilDi un amore semplice, di un amore facile
Do seu amor desesperado que não quer morrerDel tuo amore disperato che non vuol morire
Teimoso como um burro, violento como uma tempestadeTestardo come un asino, violento come un temporale
Frágil como uma criança que tem medoFragile come un bambino che ha paura

A miséria traz no ventreLa miseria porta in grembo
A violência como um filhoLa violenza come un figlio
Que para crescer terá queChe per crescere dovrà
Devorar todo o bem, só o mal deixaráDivorare tutto il bene, solo il male lascerà

Seu mundo parouIl tuo mondo si è fermato
Nada conta mais para vocêNiente conta ormai per te
Queima sua juventudeBrucia la tua gioventù
E nenhum acontecimento vale maisE nessun avvenimento vale più
Do que cada encontroDi ogni appuntamento
Que você dava a elaChe tu davi a lei

Sim, no olhar inocente, havia só ingenuidadeSì, nello sguardo innocente, c'era solo ingenuità
Você cheio de sol, ela branca de salTu pieno di sole, lei bianca di sale
Essas imagens são para mim lembrançasQueste immagini sono per me ricordi
De um amor simples, de um amor fácilDi un amore semplice, di un amore facile
Do seu amor desesperado que não quer morrerDel tuo amore disperato che non vuol morire
Teimoso como um burro, violento como uma tempestadeTestardo come un asino, violento come un temporale
Frágil como uma criança que tem medoFragile come un bambino che ha paura

Você que no domingo procurava seu olharTu che di domenica cercavi il suo sguardo
Entre a gente na igrejaTra la gente nella chiesa
Ela que sorria escondidoLei che sorrideva di nascosto
Temerosa da reprimenda de DeusTimorosa del rimprovero di Dio

Você cheio de sol, ela branca de salTu pieno di sole, lei bianca di sale
Essas imagens são para mim lembrançasQueste immagini sono per me ricordi
De um amor simples, de um amor fácilDi un amore semplice, di un amore facile
Do seu amor desesperado que não quer morrerDel tuo amore disperato che non vuol morire
Do seu amor pisoteadoDel tuo amore calpestato
Do seu amor pisoteado, ferido e assassinadoDel tuo amore calpestato, ferito e ucciso

Ruídos - fim iminenteRumori - fine incombente


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