395px

Menos Poeta

Idyllic Graves

Less of a Poet

I watch the time pass by
Like headlights burning fast
The rain comes down to remind me
That every moment cannot last

I turn the TV off
And stare through the glass
Perfectly alone
With watercolor hands

I walk so slowly
To the sound of my own steps
Thinking of the coldness
In the things I never said

I close my eyes
Ready to disappear
Replay the whole damn day
And feel the ending near

If I could leave myself
For one day, for one night
Step outside this dragging body
And watch life open wide

Maybe I would change
Every road I planned
I would be less of a poet
And a little more man

The walls begin to breathe
The lights are fading out
And every frame around me
Stares with fury now

The stars above keep burning
Like torches made of white
So beautiful and distant
So cold they freeze the night

All these years
I chased perfection
All these years
I sank in illusion

What is the answer?
Where does the heart begin?
Will I die after the birth
Of the greatest song within?

If I could leave myself
For one day, for one night
Step outside this dragging body
And watch life open wide
Maybe I would change
Every road I planned
I would be less of a poet
And a little more man

What is a poet doing here
On this wounded earth?
Where is the hidden portal
To the heart's rebirth?

Do I leave my dreams behind?
Do I walk where no road returns?
Do I bury every illusion
And despise what beauty burns?

If I get another chance
Make me a carpenter
Let my hands build something real
Let my blood remember earth

Less ink
More skin
Less prayer
More breath
Less wound
More life
Less poem
More human

If I could leave myself
For one day, for one night
Step outside this dragging body
And watch life open wide
Maybe I would change
Every road I planned
I would be less of a poet
And a little more man

If I could leave myself
For one day, for one night
Step outside this dragging body
And watch life open wide
Maybe I would change
Every road I planned
I would be less of a poet
And a little more man

I would leave without a destination
Searching for my lost horizon

Just a backpack
And one fragile plan
To be less of a poet
And more human

For one day
Or one night

Enough to be a lifetime
If the ink does not run dry

Menos Poeta

Eu vejo o tempo passar
Como faróis queimando rápido
A chuva cai pra me lembrar
Que todo momento não pode durar

Eu desligo a TV
E encaro o vidro
Perfeitamente sozinho
Com as mãos de aquarela

Eu ando tão devagar
Ao som dos meus próprios passos
Pensando na frieza
Das coisas que nunca disse

Eu fecho os olhos
Pronto pra sumir
Revejo o dia todo
E sinto o fim se aproximar

Se eu pudesse me deixar
Por um dia, por uma noite
Sair desse corpo arrastado
E ver a vida se abrir

Talvez eu mudasse
Cada caminho que planejei
Eu seria menos poeta
E um pouco mais homem

As paredes começam a respirar
As luzes estão se apagando
E cada quadro ao meu redor
Me encara com fúria agora

As estrelas lá em cima continuam queimando
Como tochas feitas de luz
Tão lindas e distantes
Tão frias que congelam a noite

Todos esses anos
Eu busquei a perfeição
Todos esses anos
Eu afundei na ilusão

Qual é a resposta?
Onde começa o coração?
Vou morrer após o nascimento
Da maior canção dentro de mim?

Se eu pudesse me deixar
Por um dia, por uma noite
Sair desse corpo arrastado
E ver a vida se abrir
Talvez eu mudasse
Cada caminho que planejei
Eu seria menos poeta
E um pouco mais homem

O que um poeta está fazendo aqui
Nesta terra ferida?
Onde está o portal escondido
Para o renascimento do coração?

Devo deixar meus sonhos pra trás?
Devo andar onde nenhum caminho retorna?
Devo enterrar toda ilusão
E desprezar o que a beleza queima?

Se eu tiver outra chance
Me faça um carpinteiro
Deixe minhas mãos construírem algo real
Deixe meu sangue lembrar da terra

Menos tinta
Mais pele
Menos oração
Mais respiração
Menos ferida
Mais vida
Menos poema
Mais humano

Se eu pudesse me deixar
Por um dia, por uma noite
Sair desse corpo arrastado
E ver a vida se abrir
Talvez eu mudasse
Cada caminho que planejei
Eu seria menos poeta
E um pouco mais homem

Se eu pudesse me deixar
Por um dia, por uma noite
Sair desse corpo arrastado
E ver a vida se abrir
Talvez eu mudasse
Cada caminho que planejei
Eu seria menos poeta
E um pouco mais homem

Eu partiria sem destino
Buscando meu horizonte perdido

Apenas uma mochila
E um plano frágil
Pra ser menos poeta
E mais humano

Por um dia
Ou uma noite

O suficiente pra ser uma vida inteira
Se a tinta não secar

Composição: Deyvson Felipe Santos