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BANANEIRA

Ignacio Copani

BANANERO

Yo no tengo identidad, yo vivo en un agujero,
soy de un país bananero, donde bananas no hay.
Y no me gusta bailar pero me hice bailantero,
soy de un país bananero, pa´ lo que guste mandar.
Te traigo un ritmo sabroso, caliente y gracioso,
qué ritmo profundo,
mi ritmo de tercer mundo, mamá,
de los del fondo del pozo.
Soy de un país generoso,
mira cómo gozo mientras más me hundo.
Yo no tengo identidad, yo vivo en un agujero,
soy de un país bananero, donde bananas no hay.
A la hora de merendar, bizcocho y mate no quiero,
soy de un país bananero, prefiero una ¨bigmac¨.
Soy hábil, soy corajudo, puedo hacerte nudos
con una pelota. Aunque viva en bancarrota, mamá,
el fútbol me hace de escudo.
Soy de un país pelotudo, pateo y eludo la triste derrota.
Yo no tengo identidad, yo vivo en un agujero,
soy de un país bananero, donde bananas no hay.
Cuando me achicharra el sol, nunca me pongo sombrero,
soy de un país bananero, uso gorra de beisbol.
Y sin haber estudiado se todo el pasado
del gringo y sus glorias y no conozco la historia, mamá,
de mi vecino de al lado.
Soy de un país dominado, vivo hipnotizado, perdí la memoria.
Yo no tengo identidad, yo vivo en un agujero,
soy de un país bananero, donde bananas no hay.
Yo no tengo identidad, yo vivo en un agujero,
soy de un país bananero, donde bananas no hay.
Cosiendo en mi camiseta marcas y etiquetas
soy más elegante y se mantiene tirante, mamá,
el hilo que me sujeta... Soy de un país marioneta,
sin rumbo y sin meta, sin fe por delante.
Yo no tengo identidad, yo vivo en un agujero,
soy de un país bananero, donde bananas no hay.

BANANEIRA

Eu não tenho identidade, eu vivo em um buraco,
sou de um país bananeiro, onde banana não tem.
E não gosto de dançar, mas virei dançarino,
sou de um país bananeiro, pra fazer o que você quiser.
Te trago um ritmo gostoso, quente e engraçado,
que ritmo profundo,
meu ritmo de terceiro mundo, mãe,
dos que estão no fundo do poço.
Sou de um país generoso,
olha como eu me divirto enquanto mais me afundo.
Eu não tenho identidade, eu vivo em um buraco,
sou de um país bananeiro, onde banana não tem.
Na hora do lanche, bolo e chimarrão não quero,
sou de um país bananeiro, prefiro um Big Mac.
Sou ágil, sou corajoso, posso te fazer nós
com uma bola. Mesmo vivendo na miséria, mãe,
o futebol me faz de escudo.
Sou de um país otário, chuto e fujo da triste derrota.
Eu não tenho identidade, eu vivo em um buraco,
sou de um país bananeiro, onde banana não tem.
Quando o sol me queima, nunca uso chapéu,
sou de um país bananeiro, uso boné de beisebol.
E sem ter estudado, sei tudo do passado
do gringo e suas glórias e não conheço a história, mãe,
do meu vizinho ao lado.
Sou de um país dominado, vivo hipnotizado, perdi a memória.
Eu não tenho identidade, eu vivo em um buraco,
sou de um país bananeiro, onde banana não tem.
Eu não tenho identidade, eu vivo em um buraco,
sou de um país bananeiro, onde banana não tem.
Costurando na minha camiseta marcas e etiquetas
sou mais elegante e fica justo, mãe,
o fio que me segura... Sou de um país marionete,
sem rumo e sem meta, sem fé pela frente.
Eu não tenho identidade, eu vivo em um buraco,
sou de um país bananeiro, onde banana não tem.

Composição: Ignacio Copani