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A Canção Que Te Devo

Inti-Illimani

La Canción Que Te Debo

Mi campesina prodigiosa,
Mi pan silvestre, mi granero,
Mi zarzamora polvorienta,
Mi roble añoso, mi potrero,
Mis cinco puntos cardinales,
Mi rueda dura, mi larguero,
Mi perra choca, mi potranca,
Mi rayo dulce, mi aguacero,
Mi sed risueña, mi vertiente,
Mi leche blanda, mi sombrero.

Mi ciudadana rigurosa,
Mi pizarrón y mi escritura,
Mi abecedario, mi alfabeto,
Mi vocación y mi premura,
Mi libertad envenenada,
Mi aventuranza prematura,
Mi andar complejo, mi sombrita,
Mi vago duelo, mi costura,
Mi semejanza, mi distancia,
Mi compromiso y mi estatura.

Puesto que soy de tu madera
Y esta canción yo te debía
Quise escribirla en primavera
Que es cuando crezco madre mía.

Hay tanta cosa que contarte,
Hay tanto mundo que te debo,
Tanto clavel que fui a buscarte
Y tanta ortiga que te llevo.

Mi girasol invulnerable,
Mi libro claro, mi alimento,
Mi consistencia vespertina,
Mi aviesa lágrima, mi tiento,
Mi terremoto tremebundo,
Mi doble orgullo, mi contento,
Mi caminata solidaria,
Mi corazón sonoro y cruento,
Mi soledad y mi venganza,
Mi rebeldía y mi sustento.

Mi inolvidable pegajosa,
Mi educadora, mi tirana,
Mi complicada defensora,
Mi peligrosa cerbatana,
Mi singular aliada oculta,
Mi más sonada cortesana,
Mi amor secreto, mi escabrosa,
Mi devoción global, mi enana,
Mi protegida, mi conciencia,
Mi laboriosa, mi holgazana.

Hay tanta cosa que contarte,
Hay tanto mundo que te debo,
Tanto clavel que fui a buscarte
Y tanta ortiga que te llevo.

Puesto que soy de tu madera
Y esta canción yo te debía
Quise escribirla en primavera
Que es cuando crezco madre mía

A Canção Que Te Devo

Minha camponesa prodigiosa,
Meu pão silvestre, meu celeiro,
Minha amora empoeirada,
Meu carvalho antigo, meu pasto,
Meus cinco pontos cardeais,
Minha roda dura, meu travessão,
Minha cadela brava, minha potra,
Meu raio doce, meu aguaceiro,
Minha sede sorridente, minha fonte,
Meu leite mole, meu chapéu.

Minha cidadã rigorosa,
Meu quadro e minha escrita,
Meu abecedário, meu alfabeto,
Minha vocação e minha pressa,
Minha liberdade envenenada,
Minha aventura precoce,
Meu andar complicado, minha sombra,
Meu luto vago, minha costura,
Minha semelhança, minha distância,
Meu compromisso e minha altura.

Já que sou da sua madeira
E essa canção eu te devia
Quis escrevê-la na primavera
Que é quando eu cresço, mãe minha.

Tem tanta coisa pra te contar,
Tem tanto mundo que te devo,
Tanto cravo que fui te buscar
E tanta urtiga que te trago.

Meu girassol invulnerável,
Meu livro claro, meu alimento,
Minha consistência vespertina,
Minha lágrima traiçoeira, meu tiento,
Meu terremoto aterrador,
Meu orgulho duplo, minha alegria,
Minha caminhada solidária,
Meu coração sonoro e sangrento,
Minha solidão e minha vingança,
Minha rebeldia e meu sustento.

Minha inesquecível pegajosa,
Minha educadora, minha tirana,
Minha defensora complicada,
Minha perigosa zarabatana,
Minha aliada oculta e singular,
Minha cortesã mais badalada,
Meu amor secreto, minha escabrosa,
Minha devoção global, minha anã,
Minha protegida, minha consciência,
Minha trabalhadora, minha preguiçosa.

Tem tanta coisa pra te contar,
Tem tanto mundo que te devo,
Tanto cravo que fui te buscar
E tanta urtiga que te trago.

Já que sou da sua madeira
E essa canção eu te devia
Quis escrevê-la na primavera
Que é quando eu cresço, mãe minha.

Composição: