La Sonámbula
Nomas tres cosas tenia,
Caballo, perro y mujer;
Cabalo de pura sangre bonito
De buen correr.
Un perro de raza fina,
Cachorro de buena ley;
Y su mujer adelina,
Una hembra de muy buen ver.
Estas tres cosas son mias,
Que no la pretendan naide'n,
Gritaba el guero garcia,
Como gritandole al aire.
Tenia lumbre en sus ojos,
Cuando a su mujer le decia;
Donde has andado esta noche
Que esta tu casa vacia.
En los tiempos de mis padres
He caminado dormida,
A ti no te ofendo,
Porque de naide'n soy querida.
Temgo el sueño pesado,
Le dijo el guero enojado;
Pero apenas pego el ojo
Es cuando mato venado.
Tranquilo descansa el potro
Bajo la luna dormido,
Tranquilo adormita el perro
Cuidando a su viejo amigo.
Pero esa noche adelina
En otros brazos queridos,
Con besos prende lumbre,
Que no enciende a su marido.
Por la vereda del rio,
Antes que el sol se asomara,
Se han encontrado dos cuerpos
Que nadie identificara.
Con los cascos de un cabalo,
Dos cuerpos han destrozado;
Y las mordidas de un perro
Los rostros desfigurados.
Aquel que es hombre bragado,
Ha encontrar no se deja,
Cabalo, perro y pistola
Con mas razon a su vieja.
Pues como el guero decia,
Perdi a la que adoraba,
Pues por andar dormida,
El diablo se la cargara.
Ay, ay, ay....
A Sonâmbula
Só tinha três coisas,
Cavalo, cachorro e mulher;
Cavalo de pura raça bonito
De bom correr.
Um cachorro de raça fina,
Filhote de boa linhagem;
E sua mulher Adelina,
Uma gata de muito bom olhar.
Essas três coisas são minhas,
Que ninguém tente me tirar,
Gritava o loiro Garcia,
Como gritando pro ar.
Tinha fogo nos olhos,
Quando pra sua mulher dizia;
Onde você andou essa noite
Que sua casa tá vazia?
Nos tempos dos meus pais
Eu andei dormindo,
A você não ofendo,
Porque de ninguém sou querida.
Tô com o sono pesado,
Disse o loiro irritado;
Mas mal fechei os olhos
É quando eu mato o veado.
Tranquilo descansa o potro
Debruçado na lua,
Tranquilo adormece o cachorro
Cuidando do seu velho amigo.
Mas naquela noite Adelina
Nos braços de outro querido,
Com beijos acende fogo,
Que não acende pro marido.
Pela beira do rio,
Antes do sol aparecer,
Encontraram dois corpos
Que ninguém pôde reconhecer.
Com os cascos de um cavalo,
Dois corpos foram despedaçados;
E as mordidas de um cachorro
Os rostos desfigurados.
Aquele que é homem de verdade,
Não se deixa encontrar,
Cavalo, cachorro e pistola
Com mais razão pra sua mulher.
Pois como o loiro dizia,
Perdi a que adorava,
Pois por andar dormindo,
O diabo a levou pra casa.
Ai, ai, ai....