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E beijar o orvalho

Isabel Parra

Y besar el rocío

Seguiré conduciendo
mi pequeño navío,
en el que caben todos
los amores tan míos.

Los amores tan míos,
ausentes y palpables,
lo que crece tan lejos
no me hiele ni amargue.

No me hiele ni amargue
que no tengo otra vida,
sólo esta pasajera,
errante, dividida.

Así tan divida,
las aguas imposibles
por el mar del destierro
hasta el río apacible.

Y a ese río apacible
acerco mi navío
hasta abrazar la tierra
y besar el rocío.

E beijar o orvalho

Seguirei navegando
meu pequeno barco,
onde cabem todos
os amores que são meus.

Os amores que são meus,
ausentes e palpáveis,
o que cresce tão longe
não me congele nem amargue.

Não me congele nem amargue
que não tenho outra vida,
só esta passageira,
errante, dividida.

Assim tão dividida,
as águas impossíveis
pelo mar do desterro
até o rio tranquilo.

E a esse rio tranquilo
aproximo meu barco
até abraçar a terra
e beijar o orvalho.

Composição: Isabel Parra