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Para Médicos e Amantes

Ismael Serrano

Para Médicos Y Amantes

Supe que todo había terminado
cuando te vi mover la cucharilla
despacio, como si aquella tarde
se parara el latido de la sangre
en lo oscuro de aquella gris cafetería.

No supe qué decirte, hablamos como
si hubiera sido ayer, sin ir más lejos,
la última vez que tú y yo hablamos,
la última vez que habíamos entrado
a saco por el alma y por el pecho.

Así que yo te hablé de mis triunfos,
de mis últimos versos, de mí mismo,
y casi sin mirarte, miraba tu café
que removías con exquisito interés
como si de ello dependiera tu destino.

Tú no decías nada. Sonreías.
Pensando en una cita, un amor nuevo
que esperaba aquella misma tarde.
Y en mitad del silencio alguna frase,
metralla de antiguos bombardeos.

Yo te llevé a tu casa. Nos rozamos
las caras sabiendo que ya nada
justificaría nuevas llamadas,
que nuestro corazón perdió esa tarde
interés para médicos y amantes.

Para Médicos e Amantes

Eu soube que tudo tinha acabado
quando te vi mexer a colher
devagar, como se aquela tarde
parasse o batimento do sangue
na escuridão daquela cafeteria cinza.

Não soube o que te dizer, falamos como
se tivesse sido ontem, sem ir muito longe,
a última vez que você e eu conversamos,
a última vez que entramos
com tudo na alma e no peito.

Então eu te falei dos meus triunfos,
dos meus últimos versos, de mim mesmo,
e quase sem te olhar, olhava seu café
que você mexia com um interesse requintado
como se disso dependesse seu destino.

Você não dizia nada. Sorriu.
Pensando em um encontro, um amor novo
que esperava naquela mesma tarde.
E no meio do silêncio, alguma frase,
fragmentos de antigos bombardeios.

Eu te levei pra casa. Nossas faces se tocaram
sabendo que nada mais
justificaria novas ligações,
que nosso coração perdeu naquela tarde
interesse para médicos e amantes.

Composição: Ismael Serrano