395px

Luzes Errantes

Ismael Serrano

Luces Errantes

Un muchacho vuela una cometa
Sobre una ciudad acorralada.
Sobre el muro su figura juega
A pintar cien mil palomas blancas.
Agarra el cordel con esa fuerza
De quien ha perdido casi todo.
No deja escapar a su cometa.
Desde lo alto se verá
Su casa, el olivar,
Su ayer y su ojalá.

Un hombre vigila la cometa
Levantando su mirada al cielo.
El futuro es sólo una promesa
Y el hogar tan sólo es un recuerdo.
Lejos de su casa un hombre espera
Manos que le salven del silencio.
Flores de papel el aire lleva
Y bajo los escombros
Tirita aquella estrella
Que marca su retorno.

Luces errantes
En tierra extraña,
Sombras del pasado.
Memoria incómoda y frágil,
Nuestro legado.
Mírame: existo,
Sueño y respiro,
Aunque algo cansado.
Llevaré hasta tu casa
Ramas de olivo en mis manos.
Futuro aplazado,
Duro camino del refugiado.
Luces errantes
En tierra extraña,
Sombras del pasado.

Aves de papel hoy sobrevuelan
La playa que fue sangre y espina.
La brisa empuja a mil cometas
Como quien sopla sobre una herida.
Agarra el cordel con esa fuerza
De quien ha perdido casi todo.
No deja escapar a su cometa.
Desde lo alto se verá
Su casa, el olivar,
Su ayer y su ojalá.

Nada saben de olvido y fronteras
El viento que enreda tu cabello
Y entre nubes mece a las cometas
Que pintan de colores el cielo.
Como un ave que siempre regresa
Al lugar en que nacen los sueños,
Vuela en lo alto mi dulce cometa.
Y se abrirán mañana
El corazón, la senda
Que lleva hasta tu casa.

Luces errantes
En tierra extraña,
Sombras del pasado.
Memoria incómoda y frágil,
Nuestro legado.
Mírame: existo,
Sueño y respiro,
Aunque algo cansado.
Llevaré hasta tu casa
Ramas de olivo en mis manos.
Futuro aplazado,
Duro camino del refugiado.
Memoria incómoda y frágil,
Camino a tu lado.
Llevaré hasta tu casa
Ramas de olivo en mis manos.
Futuro aplazado,
Duro camino del refugiado.
Luces errantes
En tierra extraña,
Sombras del pasado.

Luzes Errantes

Um garoto solta uma pipa
Sobre uma cidade cercada.
Sobre o muro sua figura brinca
Pintando cem mil pombas brancas.
Agarra a linha com toda a força
De quem quase tudo perdeu.
Não deixa escapar sua pipa.
Do alto se verá
Sua casa, o olival,
Seu ontem e seu quem sabe.

Um homem vigia a pipa
Levantando o olhar pro céu.
O futuro é só uma promessa
E o lar é só uma lembrança.
Longe de casa um homem espera
Mãos que o salvem do silêncio.
Flores de papel o vento leva
E sob os escombros
Tremula aquela estrela
Que marca seu retorno.

Luzes errantes
Em terra estranha,
Sombras do passado.
Memória incômoda e frágil,
Nosso legado.
Olhe pra mim: existo,
Sonho e respiro,
Embora um pouco cansado.
Levarei até sua casa
Ramos de oliveira em minhas mãos.
Futuro adiado,
Duro caminho do refugiado.
Luzes errantes
Em terra estranha,
Sombras do passado.

Pássaros de papel hoje sobrevoam
A praia que foi sangue e espinho.
A brisa empurra mil pipas
Como quem sopra sobre uma ferida.
Agarra a linha com toda a força
De quem quase tudo perdeu.
Não deixa escapar sua pipa.
Do alto se verá
Sua casa, o olival,
Seu ontem e seu quem sabe.

Nada sabem de esquecimento e fronteiras
O vento que enreda seu cabelo
E entre nuvens embala as pipas
Que pintam de cores o céu.
Como um pássaro que sempre retorna
Ao lugar onde nascem os sonhos,
Voa alto minha doce pipa.
E se abrirão amanhã
O coração, o caminho
Que leva até sua casa.

Luzes errantes
Em terra estranha,
Sombras do passado.
Memória incômoda e frágil,
Nosso legado.
Olhe pra mim: existo,
Sonho e respiro,
Embora um pouco cansado.
Levarei até sua casa
Ramos de oliveira em minhas mãos.
Futuro adiado,
Duro caminho do refugiado.
Memória incômoda e frágil,
Caminho ao seu lado.
Levarei até sua casa
Ramos de oliveira em minhas mãos.
Futuro adiado,
Duro caminho do refugiado.
Luzes errantes
Em terra estranha,
Sombras do passado.

Composição: Ismael Serrano