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Perguntas

Ismael Serrano

Preguntas

Maldigo y preguntas
Por qué frunzo el ceño,
Por qué las auroras
Me dejan el pecho
Lleno de agujeros.
Quizá sea la noche, abriéndose
Como una terrible flor.
Quizá sea el maldito telediario
O una mujer sin su voz
A la que acorrala el miedo.
O el silencio atronador,
Un febril planeta
Entre fuegos y tormentas,
Un niño cortando palma
En una oscura selva,
La cola del paro, el fin de mes,
Tu ausencia, todo lo que no haré.

Maldigo y me dices
Basta de lamentos.
Disculpa, te digo,
Quizá sea el sueño,
La falta de sueños.
Será que la casa, sin ella,
No es una casa, es un erial,
Y mi voz sin su voz,
Arañazo en el cristal,
O la carta de un hombre
Que echa de menos su hogar.
Quizá alguna despedida,
Los recuerdos, sus heridas,
Gaza golpeada,
Humo y llanto en sus cenizas.
Será el mundo alumbrando horrores
Y yo sólo ofrezco maldiciones.

Perguntas

Maldigo e pergunto
Por que frunzo a testa,
Por que as auroras
Deixam meu peito
Cheio de buracos.
Talvez seja a noite, se abrindo
Como uma flor terrível.
Talvez seja o maldito telejornal
Ou uma mulher sem sua voz
Que o medo a encurrala.
Ou o silêncio ensurdecedor,
Um planeta febril
Entre fogos e tempestades,
Uma criança cortando palmeira
Em uma selva escura,
O desemprego, o fim do mês,
Sua ausência, tudo que não farei.

Maldigo e você me diz
Chega de lamentos.
Desculpa, eu digo,
Talvez seja o sonho,
A falta de sonhos.
Será que a casa, sem ela,
Não é uma casa, é um deserto,
E minha voz sem sua voz,
Arranhão no vidro,
Ou a carta de um homem
Que sente falta de seu lar.
Talvez alguma despedida,
As lembranças, suas feridas,
Gaza atingida,
Fumaça e choro em suas cinzas.
Será o mundo iluminando horrores
E eu só ofereço maldições.

Composição: Ismael Serrano