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A Mulher Mais Velha do Mundo

Ismael Serrano

La Mujer Más Vieja Del Mundo

Nunca fue la bailarina más bella del salón.
Nadie se batió en duelo por ella, Sabina nunca la cantó.
Lautrec nunca dibujó sus bellas cicatrices.
Maldita Penélope, nunca regresó Ulises.

No se enamoró de ella ningún cliente,
y no se escondía el mar tras sus ojos verdes.
No había perdido a un hombre, no había desengaño,
sólo unas malas pociones, el hambre, algún fracaso.

La mujer más vieja del mundo
vende paz, espera de pie en lo oscuro,
a que vayas a su encuentro para curarte la herida,
para despejar tus dudas, para enterrarte en caricias,
para esconderte en sus manos, para que te amparen frías.

Recibiendo golpes, y no sólo de la vida.
Como hojas en otoño se iban cayendo sus días.
¿Qué harás cuando el tiempo devore todas tus horas?
Quizás te cubra la nieve, quizás envejezcas sóla.

Mientes y sonríes mientras te crece una ortiga
en la boca cuando besas una piel desconocida.
Y aunque sobrevivas, que no me cuenten batallas,
que no eres bruja del norte ni eres bienaventurada.

La mujer más vieja del mundo
vende paz, espera de pie en lo oscuro,
a que vayas a su encuentro para curarte la herida,
para despejar tus dudas, para enterrarte en caricias,
para esconderte en sus manos, para que te amparen frías.

Flor nocturna, no quiero darle mi pena,
ni mostrarle mi piedad, no quiero compadecerla.
Puta proletaria, con permiso sólo quiero
un saludo solidario, presentarle mis respetos.

Presentarle mis respetos.

A Mulher Mais Velha do Mundo

Nunca foi a dançarina mais linda do salão.
Ninguém duelou por ela, Sabina nunca a cantou.
Lautrec nunca desenhou suas belas cicatrizes.
Maldita Penélope, Ulisses nunca voltou.

Nenhum cliente se apaixonou por ela,
e o mar não se escondia atrás de seus olhos verdes.
Não havia perdido um homem, não havia desilusão,
só umas poções ruins, a fome, algum fracasso.

A mulher mais velha do mundo
vende paz, espera em pé no escuro,
pra que você vá ao seu encontro pra curar sua ferida,
pra esclarecer suas dúvidas, pra te enterrar em carícias,
pra te esconder em suas mãos, pra que te abracem frias.

Recebendo pancadas, e não só da vida.
Como folhas no outono, seus dias iam caindo.
O que você fará quando o tempo devorar todas as suas horas?
Talvez a neve te cubra, talvez você envelheça sozinha.

Você mente e sorri enquanto cresce uma urtiga
na boca quando beija uma pele desconhecida.
E mesmo que sobreviva, que não me contem batalhas,
que você não é bruxa do norte nem é bem-aventurada.

A mulher mais velha do mundo
vende paz, espera em pé no escuro,
pra que você vá ao seu encontro pra curar sua ferida,
pra esclarecer suas dúvidas, pra te enterrar em carícias,
pra te esconder em suas mãos, pra que te abracem frias.

Flor noturna, não quero dar a ela minha pena,
nem mostrar minha piedade, não quero compadecer.
Prostituta proletária, com licença só quero
um cumprimento solidário, apresentar meus respeitos.

Apresentar meus respeitos.

Composição: Ismael Serrano