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Ultimamente

Ismael Serrano

Últimamente

Últimamente ando algo perdido,
me han vencido viejos fantasmas,
nuevas rutinas.

Y en cada esquina acecha un ratero
para robarme las alhajas, los recuerdos,
las felicidades.

De un tiempo a esta parte
llego siempre tarde
a todas mis citas.

Y la vida me parece una fiesta
a la que nadie
se ha molestado en invitarme.

De un tiempo a esta parte
me cuesta tanto, tanto, tanto, no amarte,
no amarte.

Últimamente ando desconcertado,
así que ponte a salvo, porque en este estado
ando como loco.

Y me enamoro de mujeres comprometidas,
llenas de abrazos,
llenas de mentiras.

De un tiempo a esta parte, a mi amor propio algo le falta,
lo has dejado unos puntos
por debajo del de Kafka.

Y la vida me parece una fiesta
a la que nadie
se ha molestado en invitarme.

De un tiempo a esta parte
me cuesta tanto, tanto, tanto, no amarte,
no amarte.

Últimamente planeo una huida
para rehacer mi vida,
probablemente en Marte.

Seguro que allí no hay nadie empeñado en aconsejarme:
"Ismael, ¿qué te pasa?
No estudias, no trabajas".

Y qué vamos a hacerle,
si es que últimamente ando algo perdido,
si te necesito.

Si de un tiempo a esta parte
me cuesta tanto, tanto, tanto, no amarte,
no amarte.

Han de venir tiempos mejores,
cometeré más errores, daré menos explicaciones,
y haré nuevas canciones

en las que te cuente cómo, últimamente,
son tan frecuentes tristes amaneceres
ahogando mis finales,

repetidos, cansados,
miserables,
llenos de soledades.

De un tiempo a esta parte
me cuesta tanto, tanto, tanto, no amarte,
no amarte.

Ultimamente

Ultimamente ando meio perdido,
me venceram velhos fantasmas,
novas rotinas.

E em cada esquina espreita um ladrão
pra me roubar as joias, as memórias,
as felicidades.

De um tempo pra cá
chego sempre atrasado
a todos os meus encontros.

E a vida me parece uma festa
a qual ninguém
se deu ao trabalho de me convidar.

De um tempo pra cá
me custa tanto, tanto, tanto, não te amar,
não te amar.

Ultimamente ando desconcertado,
sendo assim, se cuida, porque nesse estado
ando como um louco.

E me apaixono por mulheres comprometidas,
cheias de abraços,
cheias de mentiras.

De um tempo pra cá, meu amor próprio tá faltando,
você deixou uns pontos
abaixo do de Kafka.

E a vida me parece uma festa
a qual ninguém
se deu ao trabalho de me convidar.

De um tempo pra cá
me custa tanto, tanto, tanto, não te amar,
não te amar.

Ultimamente planejo uma fuga
pra recomeçar minha vida,
provavelmente em Marte.

Certeza que lá não tem ninguém empenhado em me aconselhar:
"Ismael, o que tá pegando?
Não estuda, não trabalha".

E o que vamos fazer,
se é que ultimamente ando meio perdido,
se eu preciso de você.

Se de um tempo pra cá
me custa tanto, tanto, tanto, não te amar,
não te amar.

Vão vir tempos melhores,
cometerei mais erros, darei menos explicações,
e farei novas canções

nas quais te conto como, ultimamente,
são tão frequentes tristes amanheceres
afogando meus finais,

repetidos, cansados,
miseráveis,
cheios de solidão.

De um tempo pra cá
me custa tanto, tanto, tanto, não te amar,
não te amar.

Composição: Ismael Serrano