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A Gorjeta

Ivan Noble

La Propina

Volviste una tarde,
después de 113 noches sin volver,
y en el contestador,
amaneció tu voz de reina,
con la cola entre las piernas...

Tus mentiras visten patas largas,
siempre vas primera en el triathlón,
de los "te quiero" rancios,
la dulzura a reglamento,
y labios de Judas en baby doll...

Por lo que más quieras,
no mendigues otra vuelta,
que los milagros no nos tienen muchas ganas...
Y no me expliques nada,
no me extrañes por la espalda,
la propina la dejo yo...

Me dijiste,
"siempre estoy de paso
pero puedo hacer una excepción…",
Y yo crucé los dedos,
antes de cruzar tus besos,
y desabrocharme el corazón...

Pero piden pista los rencores,
y asoma el hocico la piedad,
Va a haber que hacer el bolso,
lagrimear, seguir el corso,
y después vestirnos de olvidar...

Por lo que más quieras,
no mendigues otra vuelta,
que los milagros no nos tienen muchas ganas...
No me jures nada,
no me quieras por la espalda,
que a este muerto yo lo entierro...

Por lo que más quieras,
no mendigues otra vuelta,
que los milagros se nos ríen en la cara...
No me expliques nada,
no me llores por la espalda,
la propina la dejo yo...

A Gorjeta

Voltou uma tarde,
depois de 113 noites sem aparecer,
e na caixa de mensagens,
acordou sua voz de rainha,
com o rabo entre as pernas...

Suas mentiras têm pernas longas,
sempre é a primeira no triatlo,
dos "te amo" sem graça,
a doçura na regra,
e lábios de Judas em baby doll...

Por tudo que você mais ama,
não implore por outra chance,
que os milagres não estão muito a fim...
E não me explique nada,
não sinta minha falta pelas costas,
a gorjeta eu deixo por minha conta...

Você me disse,
"sempre estou de passagem
mas posso fazer uma exceção...",
E eu cruzei os dedos,
antes de cruzar seus beijos,
e desabotoar meu coração...

Mas os rancores pedem passagem,
e a piedade aparece,
vai ter que fazer as malas,
lágrimas, seguir o desfile,
e depois nos vestir de esquecimento...

Por tudo que você mais ama,
não implore por outra chance,
que os milagres não estão muito a fim...
Não me jure nada,
não me ame pelas costas,
que a este morto eu enterro...

Por tudo que você mais ama,
não implore por outra chance,
que os milagros riem da nossa cara...
Não me explique nada,
não chore por trás,
a gorjeta eu deixo por minha conta...

Composição: