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Causas Perdidas

Ivan Noble

Causas Perdidas

Aparece, empuña su belleza
y la ciudad retrocede un instante...
Yo la miro desde el fondo del oleaje del recuerdo
de los besos que perdimos en combate
Saltábamos, canguros, de bar en bar,
eran años chiflados
Napoleones que juraban lo injurable
en la placita del barrio

Fueron tiempos deliciosos, yo sé,
la vida te da y te come
Años de salir a revisar los bolsillos de la noche...

Me decía: "usemos las estrellas de zaguán,
ayudáme a ver el cielo",
"al fin de cuentas todos somos causas perdidas,
de la carne a los huesos"
Y hoy ando acobardado de verla así,
con esa niebla en los ojos
"hace rato que nadie pasa por acá, colega,
¿te podrás quedar un poco?"

Fueron tiempos deliciosos, yo sé,
pero la vida te da y te come
Años de salir a derrapar por las piernas de la noche...
¿Será mucho pedir que el pasado venga mejor vestido
y golpee antes de entrar?
Hoy la memoria es un río traicionero y sin orillas
donde uno no debiera pescar…
"Te pido, no te ofendas si beso así,
con este invierno en los labios..."
"Es que hace mucho que nadie pasa por acá, colega,
¿me querrás querer un rato?"

Fueron tiempos deliciosos, yo sé,
la vida te da y te come
Años de salir a desnucar a los duendes de la noche...

Fueron tiempos deliciosos, yo sé,
la vida te da y te come
Años de salir a revisar los bolsillos de la noche
Noche a noche
Noche a noche…

Causas Perdidas

Aparece, empunha sua beleza
E a cidade recua por um instante...
Eu a olho do fundo da onda da lembrança
Dos beijos que perdemos na batalha
Saltávamos, cangurus, de bar em bar,
Eram anos malucos
Napoleões que juravam o que não se pode jurar
Na pracinha do bairro

Foram tempos deliciosos, eu sei,
A vida te dá e te consome
Anos de sair pra revirar os bolsos da noite...

Ela me dizia: "Vamos usar as estrelas do corredor,
Me ajuda a ver o céu",
"No fim das contas, todos somos causas perdidas,
Da carne aos ossos"
E hoje ando acanhado de vê-la assim,
Com essa névoa nos olhos
"Faz tempo que ninguém passa por aqui, parceiro,
Você pode ficar um pouco?"

Foram tempos deliciosos, eu sei,
Mas a vida te dá e te consome
Anos de sair pra deslizar pelas pernas da noite...

Será muito pedir que o passado venha melhor vestido
E bata antes de entrar?
Hoje a memória é um rio traiçoeiro e sem margens
Onde não se deve pescar...
"Te peço, não se ofenda se eu beijo assim,
Com esse inverno nos lábios..."
"É que faz tempo que ninguém passa por aqui, parceiro,
Você vai querer me amar um pouco?"

Foram tempos deliciosos, eu sei,
A vida te dá e te consome
Anos de sair pra desmantelar os duendes da noite...

Foram tempos deliciosos, eu sei,
A vida te dá e te consome
Anos de sair pra revirar os bolsos da noite
Noite a noite
Noite a noite…

Composição: