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Erosão do Tempo

Ivan Souza

Letra

    Já perdi a conta dos dias que quando a porteira se abria,
    Montado a cavalo eu saia com laço rodando na mão,
    Em poucas braças de espaço já preparado pro fato,
    Jogava o cipó e num ato eu logo pulava no chão,
    Pra não perder um segundo, aquele era o meu mundo, a arena de competição

    Também já lacei no campeio, e sei que nunca fiz feio,
    Entrando bem lento no meio pra fazer a apartação,
    Andando meio de esgueio, eu nem me mexia no arreio,
    O bezerro ficava parelho, certeza que ia pro chão,
    Pra ele não se assustar, jogava era sem buliar, nem dava pra ter reação

    Mandava abrir a porteira, com uma laçada certeira,
    Pegava novilho em mangueira na lida da castração,
    Entrava na capoeira, e não refugava a sujeira,
    Enchia a minha algibeira com o dinheiro do patrão,
    Não éra pra qualquer um, tarefa meio incomum, capturar boi fujão

    Eu penso como é o destino, eu fui laçador em menino,
    Agora neste desatino, por não ter firmeza nas mãos
    A idade castiga sem dó, o tempo me apertando o nó,
    De resto serei como pó, de volta irei para o chão,
    E tenho no pensamento, certeza que o meu tempo, já se tornou erosão!

    Composição: Ivan Souza / Julio Cesar. Essa informação está errada? Nos avise.

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