
O Felizardo
Ivon Curi
Casei com uma velha rica
Gorda e nanica, cheia de cupim
Andava de um lado torta
Sofria da aorta e já não tinha um rim
As pernas, todas bambeando
O corpo de curvando, todo desigual
Mas o resto, o que era necessário
Para o meu salário, era colossal
Um braço, quando se deitou
Desatarrachou com uma chave inglesa
Depois, arrancou um olho
E o botou de molho num copo de mesa
Ali, num desses repentes
Arrancou os dentes, e ao me dar um beijo
Cairam da linda donzela os cabelos dela
E eu beijei um queijo
A velha, ao bater a bota
Deixou muita nota, que contentamento!
Corremos ao tabelião, onde foi lido então, o seu testamento
Herdaram muitos afilhados, todos os criados e a cunhada Clara
E eu, que era o seu gostoso
Seu leão dengoso
Só fiquei com a cara




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