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Posto de Doma

Jari Terres

Letra

    Um velho vai dando um jeito
    Num par de rédea atorado
    Um outro, entusiasmado
    Acomoda um mate gordo
    Na tarde mansa de outono
    De um domingo acinzentado

    No posto da curunilha
    Vão aguentando o tirão
    Dois filhos da solidão
    Perfil de tarde invernosa
    Na geografia da estância
    Onde o mundo é resumido
    Num cincerro retinindo
    E a bagualada na forma!

    Eu conheço esses viventes
    O Domício e o Maurício
    Já nasceram com o relincho
    No florão da madrugada
    Com seis cordas aporreadas
    Num alambrado de tripa
    E um pulso de melodia
    Se desmanchando em guitarra

    Se amansam pelo feitiço
    Das pupilas de uma China
    Por vezes, são enchente
    Transbordando nas retinas
    Mas quando se mesclam às cerdas
    De um crinudo inconsequente
    São o passado da minha gente
    No chão crioulo que pisam!

    São quatro esporas matreiras
    Retovadas nos garrões
    Marcando as pulsações
    Dos corações temperados
    Por rigores de mormaço
    Em tempéres de minuano
    Espantam o mal de algum olho
    Com o encontro dos seus cavalos

    E quando o véu da noite
    Los pega jujando um mate
    Com a guitarra no costado
    Mirando os lumes de um fogo
    Relembram algum desgosto
    De um puebledo sem memória
    Aos que inventaram pátria
    No couro zaino do pasto!

    Composição: Jari Terres / Xiru Antunes. Essa informação está errada? Nos avise.

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