Ojos de Almendra
Ojos de almendra es dueño de ir de charco en charco,
de apedrear el tren y de fumar por la nariz,
de ser el rey de los escombros de este barrio
que llaman del Porvenir.
De poseer el arte de bañar los gatos,
de pasear por la mentira sin mentir,
de decir siempre la verdad con muchos tacos,
de estar, largarse o venir.
"¡Porvenir, campeón!
Cipri, trinca el balón del tirón;
tríncalo, tríncalo y vámonos de aquí".
"¡Almendritas, que tiran a dar!"
"Cipriano, no se atreverán:
todos me conocen".
Ojos de almendra se ha cansao de ser enano,
de no tener cien duros pa ligar hachís
ni huevos pa coger la Derby de su hermano
y abrirse del Porvenir.
"Date el piro, vampiro, que vas
de columpio y empiezo a cortar;
suéltala, suelta la pasta y bórrate.
Y ándate con cuidao de cantar
que Almendritas las gasta fatal:
suéltala, suelta la pasta y bórrate.
Y ándate con cuidao de cantar
que Almendritas las gasta fatal:
todos me conocen".
Olhos de Amêndoa
Olhos de amêndoa é dono de ir de poça em poça,
de apedrejar o trem e de fumar pelo nariz,
de ser o rei dos entulhos desse bairro
que chamam de Porvenir.
De ter a arte de dar banho nos gatos,
de passear pela mentira sem mentir,
de sempre dizer a verdade com muitos palavrões,
de estar, sair ou voltar.
"Porvenir, campeão!
Cipri, pega a bola de uma vez;
pega, pega e vamos embora daqui".
"Almendritas, que vão pra cima!"
"Cipriano, eles não vão ter coragem:
todos me conhecem".
Olhos de amêndoa tá cansado de ser baixinho,
de não ter cem contos pra pegar um baseado
nem coragem pra pegar a Derby do irmão
e se mandar do Porvenir.
"Dá o fora, vampiro, que você vai
de balanço e eu começo a cortar;
solta isso, solta a grana e desaparece.
E se cuida pra não cantar
que Almendritas é brabo pra caramba:
solta isso, solta a grana e desaparece.
E se cuida pra não cantar
que Almendritas é brabo pra caramba:
todos me conhecem."