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Pajada de Apresentação (12ª Semana Crioula Internacional de Bagé)

Jayme Caetano Braun

Letra

    Ao Fortim dos lusitanos
    Levantado por Don Diogo
    Que queimava em cada fogo
    Um alerta aos castelhanos
    Hoje acorre a los hermanos

    Irmãos gêmeos de lonjura
    E o gaúcho se aternura
    Rodeando a gloriosa meca
    No Bagé de Santa Tecla
    Guarda fogo da cultura

    Andantes de três distâncias
    Sem rumo nem residência
    Em beber pátria e querência
    Com a peonada das estâncias
    Gineteando as mesmas ânsias

    De pampas abarbarados
    Eles foram deserdados
    Mas permanecem herdeiros
    Na comparsa de lindeiros
    Que nunca foram domados

    Potrada de clina ao vento
    Que faz tambor no varzedo
    Acordando desde cedo
    Os ecos do pensamento
    Os fogões do firmamento

    Se apagaram na lagoa
    A garça branca revoa
    Porque o dia se avizinha
    Junto a fronteira rainha
    Onde cruza os guenoas

    Das bandas de Uruguaiana
    Vem apontando um moreno
    E o mundo fica pequeno
    Numa toadita pampeana
    Macia como badana

    Que pegou cor no caminho
    Trás peçuelos de carinho
    Prá os guris do mundo inteiro
    E a bênção do Avô Campeiro
    No canto de passarinho

    Junto a porteira entre aberta
    Chegam andantes, tropeiros
    Marco Aurélio e Os Posteiros
    Buscando pousada certa
    Na mesma várzea deserta

    Onde andaram os charruas
    Com fletes, lanças e puas
    Que não usavam pra enfeite
    E o cantor João Chagas Leite
    É o Gaudêncio Sete Luas

    Sobre a cancha inspiradora
    Que de ternura se veste
    Emponchada azul celeste
    Como se uma estrela fora
    A calhandrita cantora

    É um hino primaveral
    Quando Maria Cabral
    Indulça o silêncio amargo
    No estilo de Cerro Largo
    Da velha banda oriental

    E a cancha se para pouca
    Para os "de aquí y de aja"
    Quando o Cenair Maicá
    Desfiando de boca em boca
    Da linguagem de voz rouca

    Que aos poucos vai amaciando
    No fio d'água borboteando
    Na tonada musical
    Desse Duo Manancial
    Trazido de contrabando

    A guitarra e a cordeona
    Contrataram sociedade
    Pra cantar a liberdade
    Dessa pampa chimarrona
    Tecla, botão e bordona

    Incendiando o campo aberto
    Nesse arremate mais certo
    Que as máximas do Confúcio
    Uma se amasiou com o Lúcio
    Outra vive com o Gilberto

    Da grande pátria Argentina
    Berço de tantos guenodos
    Una canción para todos de mala sina
    Um livre sacode a clina
    De insubimiça e selvagem

    Pode mudar a paisagem
    Mas a entonação é a mesma
    Pois Dante Ramon Ledesma
    Transmite sempre a mensagem

    Negro de sorriso aberto
    Como sinuelo de pampa
    Revives inteira estampa
    Do taita escravo liberto
    Buscando o caminho incerto

    Dos atavismos da raça
    E a cordeona se adelgaça
    Em choramingos macios
    Pra cruzar por entre os fios
    Da guitarra do Ortaça

    Hoje há um vento de amplitude
    Varrendo este continente
    Covil, passado e presente
    Na alma da juventude
    Que já ninguém mais ilude

    Porque descobriu quem é
    E os herdeiros de Sepé
    De Rivera e San Martin
    Guardam o velho fortim
    De terra e pátria em Bagé


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