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Eu Ando Pelas Cidades

Jean Guidoni

Je Marche Dans Les Villes

Moi je marche dans les villes
Les banlieues les bidonvilles
Sur le pavé des ports
Et sur l'asphalte vil
Visitant le décor
Des amours difficiles

Moi je suis l'amateur d'ombres
L'explorateur des décombres
Le croiseur du grand vide
L'amant de la pénombre
Le flâneur intrépide
Aux fantasmes sans nombre

Moi je ressemble aux rois-mages
A la poursuite d'un mirage
D'une étoile équivoque
Eclairant les visages
Des habitués des docks
En quête de naufrage

Moi je suis le rôdeur pâle
Loin des rues principales
Dans les quartiers déserts
Le petit Sardanapale
Des dimanches de misère
Aux douches municipales

Moi je hante le hall des gares
A l'heure des troufions hagards
Traçant des graffitis
A l'abri des regards
Le dernier train parti
Quand la raison s'égare

Moi je suis l'homme immobile
Des périphéries tranquilles
Le liseur de journal
Au regard trop habile
Debout près du canal
A ses risques et périls

Moi j'arpente les passages
Témoin des équarrissages
Me payant des galas
De jeux anthropophages
Accélérant le pas
Si ça devient sauvage

Moi je suis celui qui drague
Les chantiers les terrains-vagues
Le passant dérisoire
Sans portefeuille ni bague
Pressentant le rasoir
A défaut de la dague

Moi j'ai choisi pour seule cible
Les passions indicibles
Qu'importe que j'y perde !
Je veux l'inaccessible
Je cherche l'impossible
Le diamant dans la merde

Moi je marche dans les villes
Les banlieues les bidonvilles
Sur le pavé des ports
Et sur l'asphalte vil
Visitant le décor
Des amours difficiles

Eu Ando Pelas Cidades

Eu ando pelas cidades
As periferias, as favelas
Sobre o calçamento dos portos
E sobre o asfalto podre
Visitando o cenário
Dos amores complicados

Eu sou o amante das sombras
O explorador dos escombros
O cruzador do grande vazio
O amante da penumbra
O flâneur destemido
Com fantasmas sem fim

Eu me pareço com os reis magos
Na busca de uma miragem
De uma estrela ambígua
Iluminando os rostos
Dos habitués dos docks
Em busca de naufrágio

Eu sou o vagabundo pálido
Longe das ruas principais
Nos bairros desertos
O pequeno Sardanápalo
Dos domingos de miséria
Nas duchas públicas

Eu assombra o hall das estações
Na hora dos soldados perdidos
Desenhando grafites
À sombra dos olhares
O último trem partiu
Quando a razão se perde

Eu sou o homem imóvel
Das periferias tranquilas
O leitor de jornal
Com um olhar muito astuto
De pé perto do canal
A seus riscos e perigos

Eu percorro os passagens
Testemunha dos massacres
Me divertindo com os galas
De jogos antropofágicos
Acelerando o passo
Se isso ficar selvagem

Eu sou aquele que flerta
Os canteiros, os terrenos baldios
O transeunte risível
Sem carteira nem anel
Pressentindo a lâmina
Na falta da adaga

Eu escolhi como única meta
As paixões indizíveis
Que importa se eu perder!
Eu quero o inacessível
Eu busco o impossível
O diamante na merda

Eu ando pelas cidades
As periferias, as favelas
Sobre o calçamento dos portos
E sobre o asfalto podre
Visitando o cenário
Dos amores complicados

Composição: