Marseille
Marseille
J'reviens demain ou jamais plus
Mon bel amour de l'Alcazar
Ma mort inconnue
J'ai d'avance perdu la mémoire
A trop laisser traîner mon coeur
Sur tant de trottoirs
Marseille, ville sans frontières
Cité des anges et des démons
Rêves de terre
Accrochés aux mailles d'un filet
Arrimés à tous les limons
De la misère
Et ce jour-là, comme tous les jours
Les écailles sanglantes des poissons
Laqués d'écume
Me rappellent un présent trop flou
A faire mourir mes dix-sept ans
Noyés de brume
Quelques billets, pour un paquet
Danger, pour un garçon maqué
Drôle de conte
Baiser très doux sur front baissé
De Charybde en Scylla, tombé Le messager.
Et moi Marseille
Dans un bar du vieux port
Passe-passe confidentiel
Sans regret, sans remord
Tu vois, Marseille
Je jouais au voyou
Et la sueur au cou
Tu m'rendais coup pour coup
Le port, la rade et Notre-Daine
Gardienne de nos braves gens,
Et de leurs drames
Vague bonheur sous le soleil
Je veux une vie sans erreur
Pêcheur sans âme
Marseille, je t'aimais mieux hier
Car aujourd'hui, tu te protèges
De trop de soleil
Sous une lamentable bannièr
Griffée aux armes d'un destin
En peau de chagrin
Tête de mouton, thé à la menthe
Parfums amers, bouches aimantes
Et accueillantes
Comme j'aimais tes seins voilés
De pudeur, d'espoir, maquillée
Toi, si vivante
Et rue Thubaneau, un hammam
Vapeur au bleu des mosaïques
Corps archaiques
Derrière un rideau emperlé
C'est le souvenir d'un ailleurs
A jamais parfait
Et moi Marseille
Dans un bar du vieux port
Passe-passe confidentiel
Sans regret, sans remord
Tu vois, Marseille
Je jouais au voyou
Et la sueur au cou
Tu m'rendais coup pour coup
Je t'ai quitté un soir de neige
Dans l'wagon d'un train oublié
Oui, je m'en allais
Là où le vent cach'rait ma douleur
Marseille, je t'aimais mieux hier
Je t'aimais mieux hier ...
Je t aimais mieux hier ...
Je t'aimais... Je t'aimais...
Marselha
Marselha
Eu volto amanhã ou nunca mais
Meu belo amor do Alcazar
Minha morte desconhecida
Já perdi a memória de antemão
Por deixar meu coração
Em tantos calçadões
Marselha, cidade sem fronteiras
Cidade dos anjos e dos demônios
Sonhos de terra
Presos nas malhas de uma rede
Ancorados em todos os lodos
Da miséria
E naquele dia, como em todos os dias
As escamas sangrentas dos peixes
Lustradas de espuma
Me lembram de um presente muito vago
Que faz eu morrer aos dezessete anos
Afogado em névoa
Alguns trocados, por um pacote
Perigo, por um garoto comprometido
Estranha história
Beijo muito doce na testa abaixada
De Caríbdis a Cila, caiu o mensageiro.
E eu, Marselha
Em um bar do velho porto
Jogo de cartas confidencial
Sem arrependimento, sem remorso
Você vê, Marselha
Eu fazia de bandido
E a suor no pescoço
Você me rebatia na mesma moeda
O porto, a baía e Notre-Dame
Guardião de nosso povo valente,
E de seus dramas
Felicidade vaga sob o sol
Eu quero uma vida sem erros
Pescador sem alma
Marselha, eu te amava mais ontem
Porque hoje, você se protege
De sol demais
Sob uma lamentável bandeira
Marcada com as armas de um destino
Em pele de dor
Cabeça de carneiro, chá de hortelã
Perfumes amargos, bocas amorosas
E acolhedoras
Como eu amava seus seios velados
De pudor, de esperança, maquiada
Você, tão viva
E na rua Thubaneau, um hammam
Vapor no azul dos mosaicos
Corpos arcaicos
Atrás de uma cortina bordada
É a lembrança de um lugar
Para sempre perfeito
E eu, Marselha
Em um bar do velho porto
Jogo de cartas confidencial
Sem arrependimento, sem remorso
Você vê, Marselha
Eu fazia de bandido
E a suor no pescoço
Você me rebatia na mesma moeda
Eu te deixei numa noite de neve
No vagão de um trem esquecido
Sim, eu fui embora
Para onde o vento esconderia minha dor
Marselha, eu te amava mais ontem
Eu te amava mais ontem...
Eu te amava mais ontem...
Eu te amava... Eu te amava...