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Alice e Alfred (Aposentados)

Jean Guidoni

Alice et Alfred (Retraités)

Questionnez pas la vieille
Qui entre à petits pas
Car elle est dure d'oreille
Et ne répondrait pas
A vos traits de malice
Ou de curiosité
Laissez, laissez Alice
Boire sa tasse de thé
Observez-la qui lèche
Son gâteau brioché
On voit bien que la blèche
N'a pas fait que lécher
Le sucre des gaufrettes
Que de jeunes paysans
A la foire de la Frette
Offraient à ses quinze ans
Sachez qu'ensuite Alice
Sut se montrer Sexy
Près d'un empereur du vice
De passage et qu'ainsi
Le gentil Fragonard
Fit ses premières saisons
De bouic en bobinard
De bousbir en boxon
Alice y batifole
Amassant la monnaie
Pour, fin des années folles
Entrer au Chabanais
Dont elle épuise les hôtes
Avant que d'épouser
Le maquereau de la haute
Qui tient ce claque aisé
La république cruelle
En bouclant son foutoir
Seule changea la maquerelle
En dévote notoire
C'est ainsi que les radasses
Ont de vibrants adieux
La toute dernière des passes
Elles la font avec Dieu

Respectez la clôture
Rafraîchie tous les ans
D'une verte peinture
Par ce rhumatisant
Ce doux vieillard qui taille
Ses roses en espalier
Il a mené bataille
Et si vous le vouliez
Sortirait de sa housse
L'uniforme fatigué
D'un ancien petit mousse
Qu'a beaucoup navigué
Qui en a vu de raides
De vertes et de salées
Laissez, laissez Alfred
Soigner ses azalées
Car la profonde France
Pourrait juger vilain
Comment dès Recouvrance
L'enfant vêtu de lin
S'épargnait les tortures
De la dèche, dit-on
En forçant sa nature
De fier marin breton
Comment lui vint des filles
Les courbes et la diction
Et comment à la quille
Lui vint la vocation
Comment en fin de semaine
Ils se pressaient chez Graff
Les parrains par dizaines
Du cher petit mataf
Qu'était plus de la Royale
Bien qu'il eût un hamac
Entre Blanche et Pigalle
Tendu entre deux macs
Quand la nuit parisienne
Installait des tropiques
Autour de la vespasienne
Du bas de la rue Lepic

Alice e Alfred (Aposentados)

Não pergunte pela velha
Que entra devagarinho
Pois ela é surda
E não responderia
A suas maldades
Ou à sua curiosidade
Deixem, deixem a Alice
Tomar seu chá
Observem-na lambendo
Seu bolo de brioche
Dá pra ver que a velha
Não só lambeu
O açúcar dos biscoitos
Que jovens camponeses
Ofereceram na feira
Quando ela tinha quinze anos
Saibam que depois a Alice
Soube se mostrar sexy
Perto de um imperador do vício
Que estava de passagem e assim
O gentil Fragonard
Fez suas primeiras temporadas
De bagunça em confusão
De fossa em bagunça
Alice se diverte
Juntando a grana
Para, no fim dos anos loucos
Entrar no Chabanais
Onde ela esgota os clientes
Antes de se casar
Com o cafetão da alta
Que mantém esse cabaré
A república cruel
Fechando seu bordel
Mudou a cafetina
Em devota notória
É assim que as prostitutas
Têm seus vibrantes adeus
A última das transas
Elas fazem com Deus

Respeitem a cerca
Pintada todo ano
Com uma tinta verde
Por esse velho rabugento
Esse doce ancião que poda
Suas rosas em espaldeira
Ele lutou em batalhas
E se você quisesse
Ele sairia de sua capa
O uniforme cansado
De um antigo marinheiro
Que navegou muito
Que viu de tudo
De águas verdes e salgadas
Deixem, deixem o Alfred
Cuidar de suas azaléias
Pois a profunda França
Poderia achar feio
Como desde a Recobrância
A criança vestida de linho
Se poupava das torturas
Da miséria, dizem
Forçando sua natureza
De orgulhoso marinheiro bretão
Como ele se aproximou das garotas
Das curvas e da fala
E como na quilha
Ele encontrou a vocação
Como no fim de semana
Eles se apertavam na casa do Graff
Os padrinhos por dezenas
Do querido pequeno marinheiro
Que era mais da Real
Embora tivesse uma rede
Entre Blanche e Pigalle
Estendida entre dois cafetões
Quando a noite parisiense
Instalava os trópicos
Ao redor da mictório
No final da rua Lepic

Composição: