Edgar
Edgar était un vrai saoulon
Il écrivait toute la journée
Il n'écrivait pas de chansons
Mais des contes où l'assassin
L'emportait toujours haut la main
La victime était homme de bien
Le soir Edgar de la folie
La plus atroce se sentait pris
Malgré les honneurs et les prix
De l'alcool était avili
Courant d'une ruelle à l'autre
Son paletot se déchirait
Dans la boue il se rassasiait
Dans la vermine il se vautrait
À boire à boire pour maître Edgar
À boire à boire pour le génie...
À boire à boire pour maître Edgar
À boire à boire pour le génie
Prenez garde au fou qui sommeille
Au fond d'un manoir décrépit
Jouant de ses mains anguleuses
Une valse de Chopin affreuse
D'une femme il était amoureux
Comment la convaincre que le bleu
N'est pas la couleur de ses yeux
Mais bien celle des démons hideux
Visqueux
À boire à boire pour maître Edgar
À boire à boire pour le génie...
À boire à boire pour maître Edgar
À boire à boire pour le génie
Voilà longtemps que je n'ai bu
Jusqu'à la lie mon dernier verre
On l'a retrouvé un jour
Qu'il venait d'obtenir la palme
D'espoir des auteurs du pays
Dans le canal il était gris
En proie au delirium tremens
On emmena le vagabond
Délirer son génie immense
À l'hôpital puis il mourut
Puis il mourut
À boire à boire pour maître Edgar
À boire à boire pour le génie...
À boire à boire pour maître Edgar
À boire à boire pour le génie
Edgar
Edgar era um verdadeiro bêbado
Ele escrevia o dia todo
Não escrevia canções
Mas contos onde o assassino
Sempre saía por cima
A vítima era um homem de bem
À noite, Edgar da loucura
A mais atroz se sentia preso
Apesar das honrarias e dos prêmios
Do álcool era aviltado
Correndo de uma viela a outra
Seu paletó se rasgava
Na lama ele se fartava
Na sujeira ele se esparramava
À beber, à beber, para o mestre Edgar
À beber, à beber, para o gênio...
À beber, à beber, para o mestre Edgar
À beber, à beber, para o gênio
Cuidado com o louco que dorme
No fundo de um casarão caindo aos pedaços
Tocando com suas mãos angulosas
Uma valsa horrenda de Chopin
De uma mulher ele estava apaixonado
Como convencê-la que o azul
Não é a cor dos seus olhos
Mas sim a dos demônios horrendos
Viscosos
À beber, à beber, para o mestre Edgar
À beber, à beber, para o gênio...
À beber, à beber, para o mestre Edgar
À beber, à beber, para o gênio
Já faz tempo que não bebo
Até a última gota do meu último copo
Um dia o encontraram
Que ele acabara de ganhar a palma
De esperança dos autores do país
No canal ele estava bêbado
Em meio ao delirium tremens
Levaram o vagabundo
Delirando seu imenso gênio
Para o hospital, depois ele morreu
Depois ele morreu
À beber, à beber, para o mestre Edgar
À beber, à beber, para o gênio...
À beber, à beber, para o mestre Edgar
À beber, à beber, para o gênio