Le joli pharmacien
Tout près de Paris, Place de la Mairie,
Y a-t-un pharmacien de première classe.
C'est l'enfant chéri des dames du pays
Qui murmurent en lui faisant des grâces :
- Joli pharmacien, vendez-nous vos cachets, vos pilules,
- Je n' me sens pas bien, je voudrais des pastilles qui stimulent.
- Depuis quatre jours, j'ai mal à l'estomac,
- Mon arrière-grand-père a un peu d'eczéma,
- Moi, j'ai attrapé une crampe au cinéma,
- Mon oncle Victor est tombé dans l' coma,
- Joli pharmacien, d'où me vient ce bouton ridicule ?
- Joli pharmacien, comprends donc ce que nous voulons,
Ce n'est pas dans tes bocaux qu'est le remède à nos maux
- Joli pharmacien, tu souris, nous voilà guéries.
A tous ces discours, comment rester sourd ?
Pauvre pharmacien, tu n'étais pas de glace,
Successivement, il devint l'amant de toutes ses clientes
Mais, un beau jour, hélas
Le joli pharmacien dut s' gourer de cachet, de pilule,
Il dut s'empiffrer de pastilles orientales qui stimulent
L'amour lui faisait très mal à l'estomac.
Le moindre baiser lui donnait d' l'eczéma
A chaque fois, il fallait qu'on le ranimât
Dès qu'on l'embrassait, il tombait dans l' coma.
Alors, à prix vil, il vendit sa pharmacie chérie
Et puis il partit, en laissant un vieux remplaçant
Mais c'est curieux, curieux, depuis c' temps-là
Dans la boutique, plus un chat !
C'est que l' remplaçant, tout bonnement
A soixante-seize ans, soixante-seize ans.
O Bonitão da Farmácia
Bem perto de Paris, na Praça da Prefeitura,
Tem um farmacêutico de primeira linha.
É o queridinho das mulheres da região
Que sussurram enquanto fazem suas graças:
- Bonitão da farmácia, venda pra gente seus remédios, suas pílulas,
- Não tô me sentindo bem, quero pastilhas que animem.
- Há quatro dias, tô com dor de estômago,
- Meu bisavô tá com um pouco de eczema,
- Eu peguei uma cãibra no cinema,
- Meu tio Victor caiu em coma,
- Bonitão da farmácia, de onde vem esse botão ridículo?
- Bonitão da farmácia, entende o que a gente quer,
Não é nos seus frascos que tá a cura pros nossos males
- Bonitão da farmácia, você sorri, e a gente já tá curadas.
Com todo esse papo, como ficar surdo?
Pobre farmacêutico, você não era de gelo,
Ele se tornou o amante de todas as suas clientes
Mas, um belo dia, infelizmente
O bonitão da farmácia se confundiu com um remédio, uma pílula,
Ele se empanturrou de pastilhas orientais que animam
O amor lhe fazia muito mal ao estômago.
O menor beijo lhe dava eczema
Toda vez, precisavam reanimá-lo
Assim que o beijavam, ele caía em coma.
Então, por um preço baixo, ele vendeu sua farmácia querida
E foi embora, deixando um velho substituto
Mas é curioso, curioso, desde então
Na loja, não aparece nem um gato!
É que o substituto, simplesmente
Tem setenta e seis anos, setenta e seis anos.
Composição: Jean Franc Nohain