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Uma Tonelada

Jeanne Cherhal

Une Tonne

Une année, j'ai pesé une tonne
Et cette année dura mille jours
Jamais on n'avait vu d'automne
Si long et de printemps si court

Tous les jeudis eu Desdémone
J'allais oublier mon corps lourd
En noyant ma large personne
Dans des bains brûlant mes pourtours

Dans la chaleur du Desdémone
J'étais sexy belle et glamour
Mais à heure fixe et monotone
Mon paradis fermait toujours

Alors, je rentrais pauvre conne
Dans mon deux-pièces aveugle et sourd
Et j'allongeais ma pauvre tonne
Dans du velvet, et du velours

Sur la voix de Nico Icon
De ma peau je faisais le tour
Avant de noyer ma bonbonne
Dans un gras sommeil de tambour

J'étais une tonne, j'étais une tonne
J'étais une tonne qui n'aimait personne

L'année suivante j'ai maigri
Puis j'ai repris 800 kilos
Que j'ai perdus presque à demi
Pour les regagner à nouveau

C'était l'époque où à midi
Je déjeunais de queue d'agneau
J'en avalais des panoplies
Et je dégueulais en sanglots

Souvent le soir, un vieil ennemi
Venait m'escalader le dos
Et moi, montagne blasée d'ennui
Je le laissais faire son boulot

À plat ventre sur mon grand lit
J'étais offerte à ce nabot
Il ruait, je disais: Merci
Il jouissait, je disais: Bravo

Quand enfin il était parti
Je me repassais ma Nico
Et dans le noir post coïti
Je consolais mon corps trop gros

J'étais une tonne, j'étais une tonne
J'étais une tonne qui n'aimait personne

Il y a un an, à ras de terre
J'allais énorme et sans désir
Faire des parties de solitaire
En buvant trop et sans plaisir

Dans un café presque désert
M'est apparue entre deux kirs
L'image d'un type ordinaire
Qui m'a regardée sans frémir

Comme un hélium, dans mes artères
Il est entré sans prévenir
Et moi montagne blasée hier
Je me suis vue naître et mourir

Il resta et les jours passèrent
Je l'adorais à en maigrir
Plus ses mains caressaient ma chair
Plus je sentais ma tonne me fuir

Aujourd'hui mon beau, mon si cher
Grâce à toi enfin je respire
Mon obésité suicidaire
N'est plus qu'un mauvais souvenir

Uma Tonelada

Uma ano, eu pesei uma tonelada
E esse ano durou mil dias
Nunca se viu um outono
Tão longo e uma primavera tão curta

Toda quinta-feira eu tinha Desdémona
Eu ia esquecer meu corpo pesado
Afundando minha grande pessoa
Em banhos queimando meus contornos

Na calor do Desdémona
Eu era sexy, linda e glamourosa
Mas a hora certa e monótona
Meu paraíso sempre fechava

Então, eu voltava, pobre idiota
Para meu apartamento cego e surdo
E esticava minha pobre tonelada
Em veludo, e em tecido macio

Na voz de Nico Icon
Eu contornava minha pele
Antes de afundar minha garrafa
Em um sono gorduroso de tambor

Eu era uma tonelada, eu era uma tonelada
Eu era uma tonelada que não amava ninguém

No ano seguinte eu emagreci
Depois ganhei 800 quilos
Que perdi quase pela metade
Para ganhar de novo

Era a época em que ao meio-dia
Eu almoçava rabo de cordeiro
Eu engolia várias porções
E vomitava em soluços

Frequentemente à noite, um velho inimigo
Vinha escalar minhas costas
E eu, montanha cansada de tédio
Deixava ele fazer seu trabalho

De bruços na minha cama grande
Eu estava à disposição desse anão
Ele se contorcia, eu dizia: Obrigada
Ele gozava, eu dizia: Parabéns

Quando finalmente ele foi embora
Eu colocava minha Nico de novo
E no escuro pós-coito
Eu consolava meu corpo muito grande

Eu era uma tonelada, eu era uma tonelada
Eu era uma tonelada que não amava ninguém

Há um ano, no chão
Eu andava enorme e sem desejo
Jogando partidas de paciência
Bebendo demais e sem prazer

Em um café quase deserto
Me apareceu entre dois kirs
A imagem de um cara comum
Que me olhou sem tremer

Como um hélio, em minhas artérias
Ele entrou sem avisar
E eu, montanha cansada ontem
Me vi nascer e morrer

Ele ficou e os dias passaram
Eu o adorava a ponto de emagrecer
Quanto mais suas mãos acariciavam minha pele
Mais eu sentia minha tonelada me deixar

Hoje, meu lindo, meu tão querido
Graças a você, finalmente eu respiro
Minha obesidade suicida
Não é mais do que uma má lembrança

Composição: Jeanne Cherhal