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Paraíso

Jenny Hval

Heaven

O, Heaven.
O, Heaven.
The next Queens bound train is two stations away.
From Tredestand, my white gown that curls around the harbour fetal-style.
I never was a girly girl, forgive me!

(Do it counts.
The skulls of the girls.
On mayhem.
The crystals.
Where are we going.
Dark places.
I don't know.
I never was.
The socks
The singing.
Underground.
The underground.
The white underground.
Deep underground.)

From the very back of the church choir
I am standing, lone alto range.
Girl in Black.
The front row clasp their hands now, they're singing with devotion
I separate from feeling, complex harmonic motion
Harmonic motion
What's wrong with their voices?

I shut my mouth and ran away, spot out that neoliberal, girly heart that held no blood and made no beat, just vibrated sweetly in the chest. But I'm 33 now, that's Jesus-age, and girl spaces come back to me. I want to sing religiously, you know, airy, more than necessary, climbing the ladders just to fall, uncontrollably to Heaven.

To Heaven, O Heaven, I'm standing in a graveyard of girls.
O Tredestand, O, white gown, the tombstones are so tall and hard,
I want to sit on them, put death inside my body

I want!!!
So much death!!!
I'm sorry!
I'm sorry!
I just want to feel!

So much death...
So much death...
A hole to nowhere...
A hole to nowhere...

Paraíso

O, Paraíso.
O, Paraíso.
O próximo trem para Queens está a duas estações de distância.
De Tredestand, meu vestido branco que se enrola ao redor do porto em posição fetal.
Eu nunca fui uma garota delicada, me perdoe!

(Conta?
Os crânios das garotas.
No meio do caos.
Os cristais.
Pra onde estamos indo?
Lugares sombrios.
Eu não sei.
Eu nunca fui.
As meias
O canto.
Subterrâneo.
O subterrâneo.
O subterrâneo branco.
Profundamente subterrâneo.)

Do fundo do coro da igreja
Estou de pé, sozinha na parte de contralto.
Garota de Preto.
A primeira fila entrelaça as mãos agora, estão cantando com devoção
Eu me separo do sentimento, movimento harmônico complexo
Movimento harmônico
O que há de errado com as vozes delas?

Eu fechei a boca e corri, percebi aquele coração neoliberal e delicado que não tinha sangue e não batia, apenas vibrava docemente no peito. Mas agora tenho 33, a idade de Jesus, e os espaços femininos voltam pra mim. Quero cantar religiosamente, sabe, leve, mais do que o necessário, subindo as escadas só pra cair, incontrolavelmente para o Paraíso.

Para o Paraíso, O Paraíso, estou em um cemitério de garotas.
O Tredestand, O, vestido branco, as lápides são tão altas e duras,
Quero sentar nelas, colocar a morte dentro do meu corpo.

Eu quero!!!
Tanta morte!!!
Desculpa!
Desculpa!
Eu só quero sentir!

Tanta morte...
Tanta morte...
Um buraco para lugar nenhum...
Um buraco para lugar nenhum...

Composição: Jenny Hval