Monsieur Eugène
Y a des fous dans la rue
Monsieur Eugène, les as-tu vus?
Toi qu’es du matin jusqu’au soir
Assis derrière ta vitre noire
As-tu hâte à demain
As-tu vu l’ombre de mon chien
De ma fenêtre, qui t’regardait
La regarder
De l’autre côté
D’la rue d’Grand-Pré
‘Y a des trous dans nos vies
Monsieur Eugène, as-tu compris?
Des trous en forme d’entonnoir
Et des tempêtes de miroirs
As-tu hâte au printemps
Toi qui peut voir passer le temps
Sur le trottoir tout enneigé
D’un long hiver
De l’autre côté
D’la rue d’Grand-Pré
‘Y a des sapins ensoleillés
En papier peint, en plein été
Couvrant les murs de ta maison
Du manteau vert de l’illusion
As-tu hâte au dégel
Qu’on puisse décoller les poubelles
De sur l’pavé tout verglacé
Tout à l’envers
De l’autre côté
De ton côté
Monsieur Eugène, comment raconter ton histoire?
Histoire de chasse, histoire de pêche, la mer à boire
Toi, tu les contes et moi je dois seulement y croire
Croire en demain, en mon chemin, en ton espoir
Monsieur Eugène, comment raconter mon histoire?
Je suis enfant de millénaires de mémoire
Je broie du temps sur le balcon de mon bazar
Je n’crois en rien que mon voisin ne puisse voir
Toi qu’es parti là où j’irai
D’où tu vois tout sans rien manquer
Ni la montagne, ni la souris, ni son ennui
‘Y a d’la neige dans ma télé
Monsieur Eugène, peux-tu m’aider?
Donne-moi un peu d’cœur à l’ouvrage
Pour que j’puisse défaire mes bagages
As-tu hâte à quelqu’ chose
Toi qui peux voir pousser des roses
Dans le jardin encore givré du long hiver
De l’autre côté
D’la rue d’Grand-Pré
Y a des fous dans la rue
Senhor Eugène
Tem uns doidos na rua
Senhor Eugène, você os viu?
Você que tá aqui do amanhecer até a noite
Sentado atrás da sua janela escura
Você tá ansioso pra amanhã?
Você viu a sombra do meu cachorro
Da minha janela, que te olhava
Ela te olhava
Do outro lado
Da rua Grand-Pré
Tem buracos nas nossas vidas
Senhor Eugène, você entendeu?
Buracos em forma de funil
E tempestades de espelhos
Você tá ansioso pela primavera?
Você que pode ver o tempo passar
Na calçada toda coberta de neve
De um longo inverno
Do outro lado
Da rua Grand-Pré
Tem pinheiros ensolarados
Na parede, no meio do verão
Cobrem as paredes da sua casa
Com o manto verde da ilusão
Você tá ansioso pelo degelo?
Pra gente poder tirar o lixo
Do chão todo escorregadio
Tudo ao contrário
Do outro lado
Do seu lado
Senhor Eugène, como contar sua história?
História de caça, história de pesca, o mar pra beber
Você conta e eu só tenho que acreditar
Acreditar no amanhã, no meu caminho, na sua esperança
Senhor Eugène, como contar minha história?
Sou filho de milênios de memória
Eu trituro o tempo na varanda do meu bazar
Não acredito em nada que meu vizinho possa ver
Você que foi pra onde eu vou
De onde você vê tudo sem perder nada
Nem a montanha, nem o rato, nem seu tédio
Tem neve na minha TV
Senhor Eugène, você pode me ajudar?
Me dá um pouco de coração ao trabalho
Pra eu poder desfazer minhas malas
Você tá ansioso por algo?
Você que pode ver rosas brotando
No jardim ainda congelado do longo inverno
Do outro lado
Da rua Grand-Pré
Tem uns doidos na rua
Composição: Jessica Vigneault