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Milongueiro

Jesús Fernández Blanco

Milonguero

No ganás pa'l buyón
pero vos no faltás
a ninguna milonga...
De salón en salón
patinando pasás
tu existencia mistonga...
Y aunque entrás de garrón,
Pues ni en broma palmás,
vos te haces el patrón,
muy compadre tallás
y pedís y mandás
¡cómo un gran figurón!...

¡Milonguero!,
mozo rana y perinola
para vos la vida es danza
y este mundo es una bola.
¡Milonguero!,
desde que eras un pebete
lo has pasado sin laburarla,
meta corte y firulete.
¡Milonguero,
no te envidio la osadía,
pues chiflando todo el día
la panza tendrás!...

Muy orondo contás
que sos un ligador
pa' sacar programitas...
¡Otra cosa sacás!,
pues tenés por sport
afanar cucharitas.
Cada tanto mangás
pa' pagar el bulín
donde la dormitás
y después, ¡malandrín!
¡del favor te olvidás
como un gran serafín!

Milongueiro

Você não ganha pra comprar um trago
mas você não falta
em nenhuma milonga...
De salão em salão
patinando você passa
a sua existência misturada...
E mesmo que entre de penetra,
pois nem em sonho você se dá mal,
você se faz de patrão,
muito camarada você se faz
e pede e manda
como um grande figurão!...

¡Milongueiro!,
rapaz esperto e enrolador
pra você a vida é dança
e este mundo é uma bola.
¡Milongueiro!,
desde que era um pivete
tudo passou sem trabalhar,
metendo corte e firulete.
¡Milongueiro,
não te invejo a ousadia,
pra ficar assobiando o dia todo
a barriga você vai ter!...

Muito cheio de si você conta
que é um conquistador
pra arranjar programinhas...
¡Outra coisa você arranja!,
pra você é esporte
roubar colherzinhas.
De vez em quando você pede
pra pagar o lugar
de onde você dorme
e depois, ô vagabundo!
do favor você se esquece
como um grande serafim!

Composição: Jesús Fernández Blanco, Cayetano Puglisi