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Verão da Borboleta Branca

J.M.K.E.

Valge liblika suvi

Juba lapsepõlvest peale ma teadsin
Et kevadel valget liblikat näha ei tohi
Siis suvi tuleb kurb suvi tuleb käsikäes leinaga
Ooo ma poleks seda tahtnud uskuda

Selle suve hakul aga valgeid liblikaid
Parvedena näha võis kõik kohad neid vaid täis
Kuigi ma ei uskund neid süda aimas halba
Süda aimas leina süda aimas surma

Suvi tuli õitega suvi tuli kuum
Rahva rõõmuks päikest täis oli ilmaruum
Raadiod pingest rääkisid me ei kuuland neid
Lennukite mürinast välja me ei teind

Polnud näind me surma
Polnud näind me varemeid
Oli elu armastanud meid
Nüüd
Suve keskel
Nägime me kõike mida polnud näind

Käes on valge liblika suvi
Käes on tuhande päikese lõõm
Sellest suvest kellelegi mälestust ei jää
Kõik üles sulab mure ja rõõm

Nüüd siis tuli suvi nõretades verest
Surma sadas taevast surma imbus merest
Maa oli elutu, ümberringi vaid
Võis näha raisakulle ja valgeid liblikaid

Suvi oli vihane suvi oli kuum
Värvilisi päikseid täis oli ilmaruum
Raadiod nüüd vaikisid polndki kuulajaid
Polndki vaja kuulata ise näha said

Nägime me surma
Nägime me varemeid
Elu armastas veel meid
Nüüd
Suve lõpus
Ikka elu armastas veel meid

Lõppend valge liblika suvi
Saabund tuhandeaastane talv
Elasime suve üle elame ka talve
Talve mis kirjuid liblikaid täis

Lõppend valge liblika suvi
Uue maailma algus on see
Elasime suve üle elame ka talve
Elame kevadet oodates

Verão da Borboleta Branca

Desde a infância eu sabia
Que na primavera não se deve ver a borboleta branca
Então o verão vem, um verão triste vem junto com a dor
Ooo, eu não queria acreditar nisso

No começo deste verão, porém, as borboletas brancas
Podiam ser vistas em bandos, todos os lugares estavam cheios delas
Embora eu não acreditasse, meu coração pressentia o mal
Meu coração pressentia a dor, meu coração pressentia a morte

O verão veio com flores, o verão veio quente
Para a alegria do povo, o céu estava cheio de sol
As rádios falavam sobre a tensão, não ouvimos elas
Fomos levados pelo barulho dos aviões

Não vimos a morte
Não vimos as ruínas
A vida nos amou
Agora
No meio do verão
Vimos tudo que não tínhamos visto

Chegou o verão da borboleta branca
Chegou o calor de mil sóis
Deste verão, não ficará memória para ninguém
Tudo derrete, preocupação e alegria

Agora então veio o verão, transbordando de sangue
A morte caiu do céu, a morte se infiltrou do mar
A terra estava sem vida, ao redor só havia
Podíamos ver abutres e borboletas brancas

O verão estava furioso, o verão estava quente
O céu estava cheio de cores e sóis
As rádios agora silenciaram, não havia ouvintes
Não era preciso ouvir, podíamos ver por nós mesmos

Vimos a morte
Vimos as ruínas
A vida ainda nos amava
Agora
No final do verão
A vida ainda nos amava

Terminou o verão da borboleta branca
Chegou o inverno milenar
Sobrevivemos ao verão, também sobreviveremos ao inverno
Um inverno cheio de borboletas coloridas

Terminou o verão da borboleta branca
Este é o começo de um novo mundo
Sobrevivemos ao verão, também sobreviveremos ao inverno
Viveremos esperando a primavera

Composição: