Vint de Març
M'hauria agradat estar despert
aquell matí que amb un vestit verd
entre uns bladars
ell va arribar.
Venia xiulant, com un infant.
Tenia plenes d'ocells les mans
i cel amunt
els anava escampant.
El voltaven les abelles.
Duia un barret de roselles
i a la bandolera
em duia la primavera
el vint de Març.
M'hauria agradat estar despert
o haver deixat els balcons oberts
i en el meu son
intuir com...,
teules i branques s'omplen de nius
i el roc eixut torna a mullar-se al riu
i el crit agut
d'una perdiu.
I del conill la mirada
i olorar la matinada
que a la bandolera
ens va dur la primavera
el vint de Març.
M'hauria agradat estar despert.
Jeure damunt d'un roc com um lluert
de panxa al sol
i amb un flabiol,
i haver sortit a rebre'l com cal
i guarnir amb flors de paper els portals
com si fos temps
de carnaval.
Però aquell matí jo dormia
tranquil, perquè no sabia
que a la bandolera
em duia la primavera
el vint de Març.
Vinte de Março
Eu teria gostado de estar acordado
naquela manhã com um vestido verde
entre as folhas
ele chegou.
Vinha assobiando, como uma criança.
Tinha as mãos cheias de pássaros
e o céu acima
eu ia espalhando.
As abelhas o cercavam.
Usava um chapéu de papoulas
e na bandoleira
a primavera me trazia
o vinte de março.
Eu teria gostado de estar acordado
ou ter deixado as janelas abertas
e no meu sonho
intuir como...,
telhados e galhos se enchem de ninhos
e a pedra seca volta a se molhar no rio
e o grito agudo
de uma perdiz.
E o olhar do coelho
e sentir o cheiro da madrugada
que na bandoleira
nos trouxe a primavera
o vinte de março.
Eu teria gostado de estar acordado.
Deitar sobre uma pedra como um lagarto
com a barriga ao sol
e com um flabiol,
e ter saído para recebê-lo como se deve
e enfeitar com flores de papel as portas
como se fosse tempo
de carnaval.
Mas naquela manhã eu dormia
tranquilo, porque não sabia
que na bandoleira
me trazia a primavera
o vinte de março.
Composição: J. M. Serrat