
Crioulo da Tia Maruca
João de Almeida Neto
Num cansasso de antigos caminhos
Légua e pico da velha cidade
Fez dos restos da vila carinho
Junto ao rancho da minha saudade
Pra esse rancho da idade do pago
Velha poeira de sonhos perdidos
Uma gaita e um pinho a lo largo
Me silcharo pra la meu ouvido
Provocava a saudade, rebrota
E as bonecas de azul eu me lembro
Retornando ao meu tempo um setembro
De guri, copoador e mutuca
Pós graduado naquela arapuca
Que me ensinou a viver sem bravatas
E a gritar sarandeando Alpargatas
Sou crioulo da tia Maruca
Machucadas as taipas espiam
Impassíveis no tempo que ando
Doutras vidas que já se desfiam
Sem querer nesse eterno ficando
Há um pedaço de espelh oitavado
Simulando pedaços de vida
E reponta pra algum mal domado
Relembranças de a muito dormida
Provocava a saudade, rebrota
E as bonecas de azul eu me lembro
Retornando ao meu tempo um setembro
De guri, copoador e mutuca
Entreverado com poeira e fumaça
Com cordeona, guitarra e cantor
Ele agarra a primeira que passa
E lhe faz mil promessas de amor
Quer casar e procura na vida
Quem saindo se esqueça dali
Dando a vida trigueira mais linda
Pra povoar um chacrão de guri
Provocava a saudade, rebrota
E as bonecas de azul eu me lembro
Retornando ao meu tempo um setembro
De guri, copoador e mutuca




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