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Tropilha Dos Recuerdos

João Marcos Kelbouscas

LetraSignificado

    Quando o fogo aquenta a água
    Da cambona enfumaçada
    O mate chega a ter gosto
    De tropa, doma e estrada

    O vento badala o cincerro
    Num gancho de pitangueira
    E a tropilha dos recuerdos
    Vem pra forma na mangueira

    Me parece até que vejo
    Um maula corcoveador
    Com a minha espora trabalhando
    Na volta do sangrador

    Lembro um pingo que eu domei
    Dos manso' de natureza
    De apartar pito em terreiro
    E lambari na correnteza
    De apartar pito em terreiro
    E lambari na correnteza

    Cada vez que a noite velha
    Veste luto na fronteira
    O vento embala o cincerro
    Num gancho de pitangueira
    E a tropilha dos recuerdos
    Vem pra forma na mangueira

    Chego a enxergar uma tropa
    Com capataz bem campeiro
    Que carneia e faz o fogo
    E assa a carne bem ligeiro

    Vejo a cozinheira gaúcha
    Uma matrona da planura
    Rebolcando um carreteiro
    Galopeado na gordura

    Chego a ouvir, num dia quente
    O bufo do aramador
    E a cantilena terrunha
    Da pá e do socador

    Enxergo uma penca antiga
    E o jóquei do capataz
    Ganhar do pigo do comissário
    De luz e olhando pra trás
    Ganhar do pigo do comissário
    De luz e olhando pra trás

    Cada vez que a noite velha
    Veste luto na fronteira
    O vento embala o cincerro
    Num gancho de pitangueira
    E a tropilha dos recuerdos
    Vem pra forma na mangueira

    Vejo dois tauras num baile
    Se acalambrarem em mangaço
    E um índio solito no campo
    Com um touro brabo no laço

    E vejo os campos da fronteira
    Tapaditos de fumaça
    E um gaiteiro de galpão
    Abrindo a gaita uma braça

    Vejo um paisano de allá
    Gritando forte c'o gado
    E um daqui toureando a morte
    No lombo d'um aporreado

    Olho um gaúcho ao tranquito
    Ele e um cusco estrada afora
    Uma milonga doble-chapa
    Tilintando em cada espora
    Com uma milonga orelhana
    Em cada roseta da espora

    Cada vez que a noite velha
    Veste luto na fronteira
    O vento embala o cincerro
    Num gancho de pitangueira
    E a tropilha dos recuerdos
    Vem pra forma na mangueira


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