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Tempo de Infância

João Mulato e Douradinho

Letra

    Parei pra pensar o tempo de infância
    E me vi criança lá no meu sertão
    Que um dia deixei e vim pra cidade
    Seguindo o progresso da evolução
    Que destróI e beleza e a natureza
    E ainda mata o caboclo com a solidão, ai

    O tal de progresso que é um mal necessário
    Com o seu avanço em tudo o que eu fiz
    Antigas pinguelas as pontes cobriram
    Não tem mais monjolo batendo pra mim
    Os grandes roçados e os cafezais
    Não tem mais sinais, também teve fim, ai

    Asfalto cobriram as velhas estradas
    No céu formou nuvem de poluição
    As grandes fazendas construiu industrias
    Que triste angustia pro nosso sertão
    Os burros cargueiros foram abandonados
    Também foi trocado por caminhão, ai

    Malvado progresso você me maltrata
    Destruiu as matas onde eu vivi
    O inhambu guaçú e a onça pintada
    E lá na baixada a paca e a cotia
    Nas altas perobas as pombas do ar
    Nas grandes ramagens jacu se escondia, ai

    O carro de boi num canto esquecido
    Seus cocões ruídos, rodas cai não cai
    Seguindo o progresso da evolução
    Dois bois o rugido eu não ouço mais
    Não escuto a voz do velho carreiro
    O grande companheiro meu querido pai, ai


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