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Condutores Suicidas

Joaquín Sabina

Conductores Suicidas

No voy a negarte que has marcado estilo
Que has patentado un modo de andar
Sin despeinarte por el agudísimo filo
De la navaja de esta espídica ciudad

Solías hacer turismo al borde del abismo
Pero creo que de un tiempo a esta parte
Te has deslizado al lado marrón
Tú que eras un maestro en el difícil arte
De no mojarte bajo un chaparrón

Buscando en la basura un gramo de locura
Dime que es falso que ya nunca escribes
Que has empeñado el reloj de raquel
Que tu corazón no haya quién lo motive
Que has perdido 7 kilos en un mes

Cómo te has dejado llevar a un callejón sin salida?
Tú, el mejor dotado de los conductores suicidas
Cómo te has dejado llevar a un callejon sin salida?
Tú, el mejor dotado de los conductores suicidas

No es asunto tuyo me dirás y punto
Pero reconoce que es crudo aceptar
Que no hay ser humano que le eche una mano
A quien no se quiere dejar ayudar
Y búscate la vida
En dirección prohibida

Pero no impedirás que levante mi vaso
A tu mala salud y te invite a brindar
Muerta la amistad sabe igual que el fracaso
Y a los dos nos gusta el verbo fracasar
Así que tú ni caso por no agobiarte paso
De hacerte la cuenta de las papelinas
De que no te fíe ni rafa el del pub
De que vendas chapas en ciertas esquinas
De que te conozcan en cada hospital

Condutores Suicidas

Não vou negar que você tem estilo
Que patenteou um jeito de andar
Sem bagunçar o cabelo pelo afiado fio
Da faca dessa cidade frenética

Você costumava fazer turismo na beira do abismo
Mas acho que, de um tempo pra cá
Você escorregou pro lado errado
Você, que era um mestre na difícil arte
De não se molhar sob um temporal

Procurando no lixo um grama de loucura
Diz que é mentira que você nunca escreve
Que você penhorou o relógio da Raquel
Que seu coração não tem quem o motive
Que você perdeu 7 quilos em um mês

Como você se deixou levar pra um beco sem saída?
Você, o mais talentoso dos condutores suicidas
Como você se deixou levar pra um beco sem saída?
Você, o mais talentoso dos condutores suicidas

Não é da sua conta, você vai me dizer, e ponto
Mas reconhece que é duro aceitar
Que não há ser humano que estenda a mão
A quem não quer se deixar ajudar
E se vira
Na contramão

Mas não vai impedir que eu levante meu copo
À sua má saúde e te convide a brindar
Morta a amizade, sabe igual ao fracasso
E a gente gosta do verbo fracassar
Então, nem se preocupe, pra não te sobrecarregar
De fazer as contas das papelinas
De que nem o Rafa do pub confia em você
De que você venda chapas em certas esquinas
De que te conheçam em cada hospital

Composição: Joaquín Sabina / Pancho Varona