Vámonos Pa'l Sur
Cansado de los besos que no me dabas
Líbido por exceso de sangre fría
Desanudé los nudos que me amordazaban
La boca del embudo de la alegría
Porque invertir en latas de sopa boba
Es como barnizar el propio ataúd
Te hubiera dado más de lo que me robas
Le dije al norte cuando me fui pa'l sur
Con dos o tres metáforas en la nuca
Y una gota de plomo en el lacrimal
Mi dueto del cuá-cuá con el pato Lucas
Rodó por los baretos de la ciudad
¿Qué queréis?, aprendí a malvivir del cuento
Pintando autorretratos al portador
Si faltan emociones me las invento
La madrugada no tiene corazón
La salsa de tomate de las heridas
Se corta con un chute de vanidad
Los pájaros no saben de despedidas
Ni dejan prisioneros cuando se van
La cresta de los gallos sin gallinero
Pa'l caldo del puchero del día después
Ayer no me querías, hoy no te quiero
Mañana no tendremos a quien querer
Con dos o tres carámbanos en las tripas
Y un billete de ida a ningún lugar
Mi jeta, mi bombín y mi buena pipa
Me abrieron las ventanas del más acá
No os paséis con la ley dímelo en la calle
Le dijo qué sé yo a ciudadano quién
A falta de sustancia sobran detalles
De la estación de Francia ya sale el tren
¿Qué queréis?, aprendí a malvivir del cuento
Pintando autorretratos al portador
Si faltan emociones me las invento
La madrugada no tiene corazón
Vamos Para o Sul
Cansado dos beijos que você não me dava
Com desejo de sobra e sangue frio
Desatei os nós que me amordaçavam
A boca do funil da alegria
Porque investir em latas de sopa sem graça
É como envernizar o próprio caixão
Eu te daria mais do que você me rouba
Disse pro norte quando fui pro sul
Com duas ou três metáforas na nuca
E uma gota de chumbo no lacrimal
Meu dueto de quack-quack com o pato Lucas
Rodou pelos bares da cidade
O que vocês querem?, aprendi a sobreviver do conto
Pintando autorretratos pro portador
Se faltam emoções, eu as invento
A madrugada não tem coração
O molho de tomate das feridas
Se corta com um golpe de vaidade
Os pássaros não sabem de despedidas
Nem deixam prisioneiros quando vão embora
A crista dos galos sem galinheiro
Pro caldo do dia seguinte
Ontem você não me queria, hoje não te quero
Amanhã não teremos a quem amar
Com duas ou três icterícias nas tripas
E um bilhete de ida pra lugar nenhum
Minha cara, meu chapéu e meu bom cigarro
Me abriram as janelas do mais aqui
Não exagerem com a lei, me diga na rua
Disse sei lá quem pro cidadão
Faltando substância, sobram detalhes
Da estação de França já sai o trem
O que vocês querem?, aprendi a sobreviver do conto
Pintando autorretratos pro portador
Se faltam emoções, eu as invento
A madrugada não tem coração