Ciudadano Cero
Sé de nuestro amigo lo que andan diciendo
Todos los diarios
Está usted perdiendo
Su tiempo conmigo, señor comisario
Era un individuo de esos que se callan
Por no hacer ruido, perdedor asiduo
De tantas batallas que gana el olvido
Yo no les pregunto nunca a mis clientes
Datos personales, me pagan y punto
¡Pasa tanta gente por estos hostales!
Nunca dio el menor motivo de alarma
Señor comisario, nadie imaginó
Que escondiera un arma dentro del armario
Ciudadano cero
¿Qué razón oscura te hizo salir del agujero?
Siempre sin paraguas, siempre a merced del aguacero
Todo había acabado cuando llegaron los maderos
Aquella mañana decidió que había llegado el momento
Abrió la ventana rumiando que hacía falta un escarmiento
Cargó la escopeta, se puso chaqueta
Pensando en las fotos
Hizo una ensalada
De sangre, aliñada con cristales rotos
Dejó un gato cojo y un Volkswagen tuerto
De un tiro en un faro; no tuvo mal ojo
Diecisiete muertos en treinta disparos
Cuando lo metían en una lechera
Por fin detenido, ahora decía
Sabrá España entera mis dos apellidos
Cidadão Zero
Sei do que andam dizendo sobre nosso amigo
Todos os jornais
Você está perdendo
Seu tempo comigo, senhor comissário
Era um cara desses que se cala
Pra não fazer barulho, perdedor de carteirinha
De tantas batalhas que o esquecimento ganha
Nunca pergunto nada aos meus clientes
Dados pessoais, me pagam e é isso
Passa tanta gente por esses hostels!
Nunca deu o menor motivo de alarme
Senhor comisário, ninguém imaginou
Que escondia uma arma dentro do armário
Cidadão zero
Que razão obscura te fez sair do buraco?
Sempre sem guarda-chuva, sempre à mercê da chuva
Tudo tinha acabado quando chegaram os policiais
Aquela manhã decidiu que era hora de agir
Abriu a janela pensando que precisava de um exemplo
Pegou a espingarda, vestiu a jaqueta
Pensando nas fotos
Fez uma salada
De sangue, temperada com cacos de vidro
Deixou um gato manco e um Volkswagen cego
De um tiro em um farol; não teve má mira
Dezessete mortos em trinta disparos
Quando o colocaram em uma viatura
Finalmente detido, agora dizia
Toda a Espanha saberá meus dois sobrenomes
Composição: J. Sabina