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Ay! Carmela

Joaquín Sabina

Ay! Carmela

Ay Carmela, me duelen tus ojos
Sembrando rastrojos
Canela en la nieve
Como dos carabelas
Tan pintas, tan niñas, tan leves

Minifalda
Con bici a la espalda
Y nariz indiscreta
Poco más que decir
Urge sobrevivir
Te mereces un novio poeta

No me pidas que muera por ti
Lo que queda de mí
Se subasta a la mejor postora
Como un parco motín
En el barco ruín de la aurora

No me obligues a hacerte la ola
Sigue sola tu camino
Al fin y al cabo ni sé ni sabo
Cuánto nos cobra el destino

En los bares del foro
Rompías el guión
De una peli con final feliz
No había rubia en el coro
Más loro ni más Norma Jean

Y después de la feria y el cole
La histeria y el miedo
Si te da por contar
Hombros donde llorar
Va a sobrarte una mano y seis dedos

No me canso de hablarte
Aunque pronto mi voz
Suene a grano de arroz repetido
Y desampararte es jugar
A los fuegos de azar del olvido

Nada amanece, todo envejece
Plancha tu velo de tul
Tal vez mañana a tu ventana
Llamé otro príncipe azul

Y no sé de qué modo
Dejar de adorarte sin duelo
Entre nunca y quién sabe
Cuando quemes tus naves
No me pierdas las llaves del cielo

Ay! Carmela

Ay Carmela, me doem seus olhos
Sembrando rastros
Canela na neve
Como duas caravelas
Tão pintadas, tão meninas, tão leves

Minifalda
Com a bike nas costas
E nariz curioso
Pouco mais a dizer
É urgente sobreviver
Você merece um namorado poeta

Não me peça pra morrer por você
O que resta de mim
Está à venda para a melhor oferta
Como um motim modesto
No barco miserável da aurora

Não me obrigue a te fazer a ola
Siga sozinha seu caminho
Afinal, nem sei nem entendo
Quanto nos cobra o destino

Nos bares do fórum
Você quebrava o roteiro
De um filme com final feliz
Não havia loira no coro
Nem papagaio, nem Norma Jean

E depois da feira e da escola
A histeria e o medo
Se você decidir contar
Ombros onde chorar
Vai sobrar uma mão e seis dedos

Não me canso de te falar
Embora logo minha voz
Soa como grão de arroz repetido
E te deixar é jogar
Nos jogos de azar do esquecimento

Nada amanhece, tudo envelhece
Passa o seu véu de tule
Talvez amanhã na sua janela
Bata outro príncipe encantado

E não sei de que jeito
Deixar de te adorar sem dor
Entre nunca e quem sabe
Quando você queimar suas naus
Não me perca as chaves do céu

Composição: Antonio Garcia de Diego / Joaquín Sabina / Pancho Varona