395px

Viúva de Cliquot

Joaquín Sabina

Viudita de Cliquot

A los quince los cuerdos de atar me cortaron las alas
A los veinte escapé por las malas del pie del altar
A los treinta fui de armas tomar sin chaleco antibalas
Londres fue Montparnasse sin gabachos, atocha con mar

A los cuarenta y diez naufragué en un plus ultra sin faro
Mi caballo volvió solo a casa, ¿qué fue de John Wayne?
Me pasé de la raya con tal de pasar por el aro
Con 60 qué importa la talla de mis Calvin Klein

Nunca suple templar la guitarra que embrida mi potro
Cuando el dealer me dijo que si no le dije que no
La hormiguita murió, la cigarra se murió con otro
Yo aposté por las fichas caídas de tu dominó

Allons enfants de la patrie
Maldito mayo de París
Vendí en Portobello los clavos de mi cruz
Brindé con el diablo a su salud

Se llamaba Rebeca la gringa que empató conmigo
Me sacaba la lengua en lugar de enseñarme a besar
Me compró una tormenta después de robarme el abrigo
Con la espalda mojada no hay nada peor que soñar

Negocié tablas al ajedrez: Tu alfil por mis peones
Abrevé en los pezones con sal de la mujer de Lot
Antes de que tiñera noviembre mis habitaciones
Descorché otra botella con la viudita de Clicquot

Allons enfants de la patrie
Maldito mayo de París
Vendí en Portobello los clavos de mi cruz
Brindé con el diablo a su salud

Mi manera de comprometerme fue darme a la fuga

Viúva de Cliquot

Aos quinze, os cordões de atar cortaram minhas asas
Aos vinte, escapei por baixo do altar, foi na marra
Aos trinta, fui pra briga sem colete à prova de balas
Londres era Montparnasse sem gringo, atocha com mar

Aos quarenta e dez, naufraguei em um plus ultra sem farol
Meu cavalo voltou sozinho pra casa, o que foi do John Wayne?
Exagerei pra passar pelo aro, fui além da conta
Com 60, que importa o tamanho dos meus Calvin Klein?

Nunca substitui o som da guitarra que doma meu potro
Quando o dealer me disse que se não, eu disse que não
A formiguinha morreu, a cigarra se foi com outro
Eu apostei nas fichas caídas do seu dominó

Vamos, filhos da pátria
Maldito maio de Paris
Vendi em Portobello os pregos da minha cruz
Brindamos com o diabo pela saúde dele

Ela se chamava Rebeca, a gringa que empatou comigo
Me mostrava a língua em vez de me ensinar a beijar
Me comprou uma tempestade depois de roubar meu casaco
Com as costas molhadas, não há nada pior que sonhar

Negociei no xadrez: seu bispo pelos meus peões
Bebi nos mamilos com sal da mulher de Ló
Antes que novembro tingisse meus aposentos
Descorchei outra garrafa com a viúva de Cliquot

Vamos, filhos da pátria
Maldito maio de Paris
Vendi em Portobello os pregos da minha cruz
Brindamos com o diabo pela saúde dele

Minha maneira de me comprometer foi dar no pé

Composição: Antonio Garcia de Diego / Benjamin Prado / Joaquín Sabina / Pancho Varona