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A Volta do Correio

Joaquín Sabina

A Vuelta De Corre

Caballero en edad de merecer,
Con un pelo de tonto, cuatro canas,
El pasado resuelto y muchas ganas
Ya sabe usted de qué.
Informal, ilustrado, manejable,
Más amigo de gatas que de perros,
Con dos úlceras y una inexplicable
Mala salud de hierro,

Solicita, con fines poco serios,
Señora aficionada al adulterio,
O señorita, entre quince y cuarenta,
Si no los aparenta.

Las cartas a república española,
Hoy avenida juan carlos primero,
Con foto que prefiero
De cuerpo entero y sola,
A vuelta de correo irá la mía,
Con traje gris y más chulo que en un ocho
Porque la tengo, cómo le diría,
Más larga que pinocho.

Se aceptan feministas sin pancarta,
Cursis enamoradas del amor
O pesimistas hartas de estar hartas
De decirme que no.

Igual me da mujer de mala nota
Que especialista en borges y lacán,
Si no vienen tocándome con juan
Salvador las pelotas.

Dispuesto a todo, incluso a defraudarte,
Alérgico al deporte y al reloj,
Con un precoz talento para el arte
De la eyaculación.

Las cartas a calle melancolía,
Hoy travesía álvarez del manzano,
Con dos fotografías
Del último verano,
A vuelta de correo irá la mía,
Donde, aunque flaco y pálido, destaco
Por tenerla más larga todavía
Que un lunes sin tabaco.

Anímense monjitas de clausura,
Absténganse fanáticas y abstemias,
La pasión con controles de alcoholemia
No me la pone dura.

Podrán buscarse amantes de ocasión
Cuando la decadencia lo aconseje,
Que traigan referencias y se dejen
Ganar al dominó.

A las interesadas aseguro
Máxima indiscreción, ninguna prisa,
Buena conversación, besos con risas
Y noches sin futuro.

Cartas al bulevar del malvivir,
También llamado de los sueños rotos,
Adjunte un par de fotos
De frente y de perfil,
A vuelta de correo irá la mía,
Con pose de poeta parnasiano,
Urfano de tenerla todavía
Más larga que cyrano…
De bergerac.

A Volta do Correio

Cavaleiro em idade de merecer,
Com um cabelo de tonto, quatro grisalhos,
O passado resolvido e muita vontade
Você já sabe do que se trata.
Informal, culto, maleável,
Mais amigo de gatas do que de cães,
Com duas úlceras e uma inexplicável
Saúde de ferro,

Solicita, com fins pouco sérios,
Senhora aficionada ao adultério,
Ou senhorita, entre quinze e quarenta,
Se não aparenta.

As cartas para a república espanhola,
Hoje avenida João Carlos Primeiro,
Com foto que eu prefiro
De corpo inteiro e sozinha,
A volta do correio irá a minha,
Com terno cinza e mais estiloso que em um oito
Porque eu a tenho, como diria,
Mais longa que o Pinóquio.

Aceitam-se feministas sem cartaz,
Cursis apaixonadas pelo amor
Ou pessimistas cansadas de estar cansadas
De me dizer que não.

Tanto faz mulher de má fama
Que especialista em Borges e Lacan,
Se não vêm me tocando com Juan
Salvador nas bolas.

Disposto a tudo, até a te decepcionar,
Alérgico a esportes e a relógio,
Com um talento precoce para a arte
Da ejaculação.

As cartas para a rua Melancolia,
Hoje travessia Álvares do Manzano,
Com duas fotografias
Do último verão,
A volta do correio irá a minha,
Onde, embora magro e pálido, me destaco
Por tê-la ainda mais longa
Que uma segunda sem cigarro.

Animem-se, freirinhas de clausura,
Abstêm-se fanáticas e abstêmias,
A paixão com controle de alcoolemia
Não me deixa duro.

Podem buscar amantes de ocasião
Quando a decadência aconselhar,
Que tragam referências e se deixem
Ganhar no dominó.

Às interessadas, asseguro
Máxima discrição, nenhuma pressa,
Boa conversa, beijos com risadas
E noites sem futuro.

Cartas para o bulevar do mal viver,
Também chamado de sonhos quebrados,
Anexe um par de fotos
De frente e de perfil,
A volta do correio irá a minha,
Com pose de poeta parnasiano,
Urfano de tê-la ainda
Mais longa que Cyrano…
De Bergerac.

Composição: Enrique Berro / Joaquín Sabina