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Ay! Rocío

Joaquín Sabina

Ay! Rocío

Ay! Rocío, caviar de riofrío
Sola entre el gentío
Tortolica en celo
Como un grano de anís
Un weekend en París
Un deshielo

Un ducados de más
Qué desastre de adanes y evas
O quizá una canción
Si supieras que yo
Te hago caso de ombligos a brevas

Cuántas noches al alba
Me barajo la calva
Que amenaza debajo del pelo
Cuántas tardes dormido
Olvido la flor del subsuelo

Y después resucito
Como un ratoncito silvestre
Tan boinón, tan paisano
Tan bribón, tan urbano
Tan fulano, tan picapedrestre

Cada mes cumples años
Saltando peldaños
Dos a dos, tres a tres
Cinco a cuatro
Como un terco vaivén
Del vagón al arcén del teatro

Yo te miro crecer
Con la baba mojando zaguanes
Y me quedo a dos velas
Con tan poquita tela que cortarte
Malditos don juanes

Sufro tu adolescencia
Como una insolencia
Que disfruta volviéndome loco
No seas hija de puta
Si me das jaque mate
Me enroco

O me vengo cantando
Y contando
Mentiras ripiosas
Sweet melocotoncita
Bendición, afrodita
Coronita de espinas y rosas

No me cuentes tu vida
Que no es comercial
Me decías en e-mail
Parricida
Ya no tienes edad, añadías
Basta de despedidas

Y en lugar de llorar
Como a mano tenía un pentagrama
Empecé esta canción
Si la acabo me meto en la cama

Ay! Rocío

Ay! Rocío, caviar de riofrío
Sozinha entre a multidão
Tortolinha apaixonada
Como um grão de anis
Um final de semana em Paris
Um descongelar

Um ducado a mais
Que desastre de Adães e Evas
Ou talvez uma canção
Se soubesse que eu
Te escuto de ombligos a brevas

Quantas noites ao amanhecer
Eu me embaralho a careca
Que ameaça por baixo do cabelo
Quantas tardes dormindo
Esqueço a flor do subsolo

E depois ressuscito
Como um ratinho silvestre
Tão boinão, tão caipira
Tão travesso, tão urbano
Tão fulano, tão pedreiro

Todo mês é seu aniversário
Saltando degraus
Dois a dois, três a três
Cinco a quatro
Como um teimoso vai e vem
Do vagão ao beiral do teatro

Eu te vejo crescer
Com a baba molhando os corredores
E fico a ver navios
Com tão pouquinha roupa pra te cortar
Malditos don juanes

Sofro sua adolescência
Como uma insolência
Que se diverte me deixando louco
Não seja filha da puta
Se me der xeque-mate
Eu me enroco

Ou venho me vingando
Cantando
Mentiras escandalosas
Doce pêssego
Bênção, Afrodite
Coroa de espinhos e rosas

Não me conte sua vida
Que não é comercial
Você me dizia por e-mail
Parricida
Já não tem idade, acrescentava
Chega de despedidas

E em vez de chorar
Como tinha um pentagrama na mão
Comecei esta canção
Se eu acabar, vou pra cama

Composição: Antonio Garcia de Diego / Pancho Varona