395px

Me Peço Primeiro

Joaquín Sabina

Me Pido Primer

Mi primera manzana se llamaba quién eres
Mi primera ventana se llamaba porqué
Mi primer laberinto se llamaba mujeres
Mi primer vino tinto se llamaba noé

Mi primer fugitivo se llamaba extranjero
Mi primer cheque en blanco se llamaba real
Mi primer mandamiento se llamaba no quiero
Mi primer papamóvil se llamaba papá

Mi primer espejismo se llamaba verano
Mi primera fulana se llamaba por fin
Mi primer pasaporte se llamaba mariano
Mi primer aeropuerto se llamaba París

Mi primer desconcierto se llamaba destino
Mi primer esperanto se llamaba español
Mi primer al capone se llamaba al pacino
Mi primera blasfemia se llamaba oración

Todos nacemos en cualquier lugar
Me pido primer para desertar
De la estrechez
De los que saben negociar
Tablas en el ajedrez
Que no te quiten la vez
Los que hablan sin respirar

Mi primer aguacate se llamaba Pomelo
Mi primer crecepelo se llamaba champú
Mi primer disparate se llamaba Consuelo
Mi primer desconsuelo se llamaba Moscú

Mi primer apellido se llamaba Martínez
Mi primer borsalino se llamaba Bombín
Mi primera manola fue en la cola de un cine
Mi primera frontera se llamaba Joaquín

Todos nacemos en cualquier lugar
Me pido primer para desertar
De la memez
De los que saben negociar
Tablas en el ajedrez
Que no te quiten la sed
Los que hablan sin respirar

Todos nacemos en cualquier lugar
Me pido primer para desertar
De la vejez
De los que saben negociar
Tablas en el ajedrez
Tú no me trates de usted
Ni me hables sin respirar

Me Peço Primeiro

Minha primeira maçã se chamava quem é você
Minha primeira janela se chamava por quê
Meu primeiro labirinto se chamava mulheres
Meu primeiro vinho tinto se chamava Noé

Meu primeiro fugitivo se chamava estrangeiro
Meu primeiro cheque em branco se chamava real
Meu primeiro mandamento se chamava não quero
Meu primeiro papamóvel se chamava papai

Meu primeiro espejismo se chamava verão
Minha primeira fulana se chamava finalmente
Meu primeiro passaporte se chamava Mariano
Meu primeiro aeroporto se chamava Paris

Meu primeiro desconcerto se chamava destino
Meu primeiro esperanto se chamava espanhol
Meu primeiro Al Capone se chamava Al Pacino
Minha primeira blasfêmia se chamava oração

Todos nascemos em qualquer lugar
Me peço primeiro para desertar
Da estreiteza
Dos que sabem negociar
Tabuleiros no xadrez
Que não te tirem a vez
Os que falam sem respirar

Meu primeiro abacate se chamava Pomelo
Meu primeiro cresce-cabelo se chamava shampoo
Meu primeiro disparate se chamava Consuelo
Meu primeiro desamparo se chamava Moscou

Meu primeiro sobrenome se chamava Martínez
Meu primeiro borsalino se chamava Bombín
Minha primeira manola foi na fila de um cinema
Minha primeira fronteira se chamava Joaquín

Todos nascemos em qualquer lugar
Me peço primeiro para desertar
Da bobagem
Dos que sabem negociar
Tabuleiros no xadrez
Que não te tirem a sede
Os que falam sem respirar

Todos nascemos em qualquer lugar
Me peço primeiro para desertar
Da velhice
Dos que sabem negociar
Tabuleiros no xadrez
Você não me trate de senhor
Nem me fale sem respirar

Composição: Antonio Garcia de Diego / Pancho Varona